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A pior pena

Atraído pelas palavras de um vereador entrevistado, tratei de ler a matéria, imediatamente. Afinal, é o mais jovem dos que chegaram à Câmara Municipal de Manaus, na sessão legislativa recém-iniciada. Fui levado à leitura, primeiro por manifestar meu aplauso à iniciativa do jornalista Julio Ventilari, cuja coluna traz a entrevista. Depois, porque sou desencantada testemunha do processo de deterioração por que vem passando muitos jovens que se anunciavam promissores. Não de qualquer promessa, mas daquelas que sugeririam vigoroso empenho na defesa de interesses menos egoísticos e com forte apelo social. Nem considerei a hipótese de estar em busca de uma finíssima agulha em um intrincado e volumoso palheiro. Quando se trata de apreciar a conduta do animal humano sempre será bom guardar reservas. Nesse campo, todo extremismo generalizador é perigoso. Da minha leitura, resultou saber do alegado engajamento do vereador em atividades que buscam dar atenção digna e dignificante aos portadores de autismo. Essa a informação mais importante, porque revela compromisso que o conteúdo da entrevista não permite dizer se é exclusivo. Porque seja a maior preocupação do vereador, pode-se logo identificar um ponto digno de menção e louvação. Se é exclusiva, essa preocupação limita muito as perspectivas do novel legislador municipal. Tantos são os problemas com que se há a sociedade em proveito da qual se espera a atuação dos representantes populares, que a percepção da floresta é exigida, para muito além do foco em uma só árvore. Isso acaba desembocando no oceano de discursos fluidos, no que concerne à consistência dos propósitos anunciados. O que basta para deixar a impressão de que se repete fenômeno tão frequente quanto indesejável: a novidade registrada na certidão de nascimento não corresponde ao momento, à sociedade e às carências que marcam a vida dos munícipes. O jovem edil não será o primeiro, mas não tardará a engordar a lista das promessas que nunca chegaram a bom termo. Não é mais possível admitir presente a frase bem-humorada de Millôr Fernandes, para quem a assistente social é a mulher generosa que o governo paga para ter pena da gente.

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