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A democracia de Trump

A ambição desmedida do soba norte-americano candidato a coveiro do império decadente, não tem tamanho. Se o tiver, é o mesmo da abissal ignorância que ele cultiva a respeito de algo que não caiba nos bolsos ou na conta bancária. Por isso, ele se pode dar o luxo de fingir não ter conhecimento do que se passa debaixo do seu nariz, seja qual for o problema a que se vincule o fato por quase todos visto e analisado. Autoproclamando-se imperador do Mundo, ele inventa coisas em nada coincidentes com o que vai dentro de sua desalma desatinada e alimentada pelo que de mais rudimentar pode caber em organismos semelhantes ao seu. As ações a que se tem entregado, desde que prometeu acabar em 24 horas de governo a guerra na Ucrânia, prenunciavam o agravamento das relações internacionais. Se bem que deixaram maus presságios desde o primeiro momento, poucos seriam capazes de admitir que ele seria levado tão longe. Pelo menos, salvo os que detêm segredos mantidos cuidadosamente, seriam exceção os observadores atentos à guerra generalizada contra as nações que resistem à volúpia de poder e dinheiro que tem orientado a vida do nefasto indivíduo. Imaginar o caos por ele anunciado não teria sido difícil. Muitos de seus antecessores imbuídos da mesma ambição e da mesma prepotência não chegaram a tanto. Agora, os caminhos que levam ao caos prometido têm sua substância na degradação absoluta de tudo quanto poderia contribuir para assegurar paz no Mundo. Óbvio que a liquidação da OTAN, não fosse a proposta de reerguê-la de outro modo, à feição dos impérios, seria decisão benéfica ao equilíbrio geopolítico, além de ser o cumprimento enormemente atrasado de uma decisão tomada no pós-guerra. A criação de um conselho caricato, que concentraria o poder sobre todos os povos e governos da Terra, parece não ter precedente histórico, nem corresponde a qualquer das necessidades nacionais, aqui e alhures. Nem seria preciso lembrar que boa parte dos cúmplices do ditador conduzem de forma avessa à democracia os países em que detêm o poder. Não é desprezível mencionar que a atribuição de poder de veto às nações que compõem o mais uma vez desmoralizado Conselho de Segurança da ONU impediu a eclosão da Terceira Grande Guerra. Deixar tal poder nas mãos de um só governante, ainda mais se tratando de quem se trata, é aventura que exige e convoca os cidadãos de todo o planeta à mais firme e persistente resistência. Fazer o contrário é autorizar o soba ruivo a explodir nosso habitat. Aos 12 que seguiram o grande marco da História Universal, na inauguração desta fase correspondem os 19 autocratas que acompanham o pretenso dono do Mundo.

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