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A alternativa para Trump

Donald Trump só encontrou uma desculpa, na tentativa de constranger o mundo com seu tarifaço. A alegação de que a majoração tarifária faz parte de sua estratégia para forçar a negociação é pura conversa mole ou conversa para boi dormir. No máximo, balão de ensaio cujo resultado ele custará a admitir. Ao invés de receber da maioria dos países o costumeiro gesto de submissão ao império, o que o Presidente dos Estados Unidos da América do Norte experimentou reação incompatível com o grau de arrogância e prepotência tão característico. Prova evidente de que sua esperteza não corresponde à escassa percepção dos fenômenos de um mundo em acelerado processo de globalização. Imperadores demoram a perceber a realidade em volta, em especial quando seu fugaz e inconsistente êxito é perturbado pelos primeiros sinais de decadência. Quando, porém, o declínio se torna percebido, o desespero consequente costuma acompanhar-se de decisões e providências que podem acelerar a chegada do naufrágio. Os primeiros sinais de que chegara a hora de reconhecer as dificuldades coincide com a avaliação dos riscos que a criação da nova moeda proposta pelo BRICS sugere. O padrão dólar, enfraquecido, só não traria tantos problemas para os Estados Unidos da América do Norte, se a emigração de boa parte da indústria norte-americana não tivesse levado para outros países e continentes investimentos expressivos. Desse processo de transferência valeu-se a China, a tal ponto bem-sucedida, que substituiu a Rússia no cenário político e econômico mundial. Isso, como se têm gabado as lideranças chinesas, sem precisar do uso de armas e de ameaçar o mundo com mais uma guerra. O regime que José Nobori chama socialismo de mercado, refugando a expressão capitalismo de estado, também se gaba de não constar de seu ideário a prática de invadir território alheio, nem financiar conflitos bélicos que promovem o assassinato de irmãos por irmãos. A maioria das lideranças do Velho Mundo, aparentemente dispostas a recompor sua aproximação do império decadente, tem poucas alternativas. Uma delas, a mais desastrada, tomar a si a responsabilidade pela condução da OTAN. Ou seja, passarem - a França e a Alemanha sendo as supostamente mais interessadas - a manter o cerco contra a Rússia, que Trump reverencia e corteja. Não descartemos, todavia, a hipótese de Trump avaliar qual o melhor para ele: manter o discurso supostamente voltado a recuperar o domínio de seu país, sob o slogan make great America again ou fazer seus próprio negócios prosperarem.

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