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Zeros à esquerda

Atualizado: 8 de abr. de 2022

Pouco afeiçoado à Matemática, só o tempo me fez entender melhor suas expressões e seu significado para a vida dos povos. O que sei - e nem sei se todos entendem como eu - é que a Matemática é ciência absolutamente criada pelo Homem. Os números não são apanhados em árvores, nem se pode pesca-los nos rios. Não estão contidos em alguma caverna ou fundo de lagos imemoriais. Nasceram na cabeça dos seres dito superiores, embora muitas vezes tenham expressado malfeitos, não benemerências. O fato é que algumas das expressões criadas pelos matemáticos só foram compreendidas por mim, com o avançar do tempo. Por isso, sei bem o que significa um zero à esquerda - nada. Se entre ele e o outro algarismo nenhum sinal houver, a vírgula ou o ponto, só servirá para completar o espaço em formulários de todo tipo. Quê dizer das pessoas que são chamadas por números? E das que, assim batizadas, têm-nos antecedidos de zeros? Dúvida pode haver, até que as pessoas (?) numeradas revelem na conduta ostensiva sua índole, seu caráter - enfim, os valores a que se sentem vinculados. Faz poucos dias, um dos zeros à esquerda que infestam o Brasil mostrou seu desdém pela espécie com a qual ainda não logrou identidade, ao referir-se a uma jornalista. Esta, Míriam Leitão, alvo da desumanidade (animalidade seria melhor dizer) do indivíduo, fazendo pilhéria da forma de tortura que foi imposta à profissional das comunicação, quando presa pela ditadura. Produzindo peça de horror, ambiente no qual as víboras e todo tipo de animal peçonhento se adaptam com facilidade, o agressor lembrou Maluf. Com outras palavras, disse o mesmo que o ex-governador paulista e candidato da ditadura à Presidência da República um dia disse: quer estuprar, estupra, mas não mata! O deputado zero à esquerda disse ter tido pena de sua irmã biológica, não da jornalista torturada. Desculpe-me o leitor, acaso haja algum, se não escrevo o nome do agressor. Não desejo sujar a tela do computador, nem ofender os olhos de quem me lê.

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