Vexame
- Professor Seráfico

- 18 de jul. de 2022
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A jornalista Vera Magalhães chama a atenção para o que ela considera vexame a que foram submetidas as forças armadas brasileiras, em recente sessão do Congresso. Lá se realizava o primeiro comício prorreeleicao do Presidente da República, a pretexto da promulgação de PEC indevidamente chamada kamikaze. O termo contradiz o significado do cerzido aplicado na Constituição, se comparado à ação dos pilotos japoneses da Segunda Guerra. Neste caso, os aliados de Hitler e Mussolini perdiam a vida. Eram eles mesmos as vítimas do seu gesto, suicidas em nome de valores abominados pelas pessoas a que se pode chamar humanas. As vítimas da PEC da reeleição, como também se a chama, são os supostos beneficiários das maldades travestidas em favor. Nem se pode dizer, como é comum quando práticas nocivas à sociedade ocorrem, que os donos do País se equivocam. Tanto não o é, que já a partir de 1 de janeiro de 2023 começaremos todos, os pobres tão à mão dos indigentes de moral e amor ao próximo, incluídos dentre quanto os que se deixam enganar. Com os famintos e os críticos estarão os abastados de estômago forrado solidários à pretensão presidencial. Mas não era bem disso que eu me propus tratar agora. Volto, portanto, ao vexame, que vejo como reiteração, apontado pela jornalista da TV-Cultura. Na solenidade, o Ministro da Defesa insistiu no ataque à Justiça Eleitoral, chegando ao ridículo de propor a volta ao voto em papel, à guisa de controlar o processo de votação. Portador de uma patente de oficial da reserva nao-remunerada do Exército, temo ver esmaecida a boa imagem que formei das forças armadas, desde quando, voluntário, ingressei no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva - CPOR, em Belém do Pará. Em 1961 fui declarado aspirante, posto que me levou ao de Segundo-tenente, após o chamado estágio de instrução, cumprido no então 27BC, em Manaus. Como aluno e como aspirante, nunca fui chamado sequer à prestação de revista, pena branda aplicada ao menor desvio de conduta. Como o sapato mal engraxado, o cinto mal polido, a camisa amarrotada. Não tardou o rompimento da Constituição em 1964, cujas trágicas consequências perduram, ameaçando desfazer mitos que a realidade deixa descobertos. Ou é o erro que deve ser estimulado, respeitado, protegido e premiado?


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