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Meia boca

A conduta do general Freire Gomes, classificado como cagão pelo seu camarada Braga Netto, há de ensejar as mais variadas interpretações. Assim foi, é e será, sempre que se observar o comportamento humano. Alguns aplaudirão a resposta do depoente da última sexta-feira, na PF. Outros discordarão dele, amantes do autoritarismo incapazes de convivência democrática. Não sei se escasso ou numeroso o grupo dos que ponderarão vários fatores, antes de chegar a uma conclusão minimamente aceitável. Segundo o relato de várias fontes, Freire Gomes teria resistido ao propósito golpista do ex-capitão, quando ele o apresentou aos "seus" generais. Assumiu, dizem todos, a posição legalista, de que seu velho e já falecido camarada Henrique Batista Duffles Teixeira Lott é o maior exemplo. A diferença entre Lott e Freire Gomes está na sequência de seu ato rebelde.

Um e outro, por dever de oficio, teriam que dar outro passo, para não incorrer no crime de prevaricação. No caso mais recente, esse passo não foi dado. Diante disso, nenhuma tentativa de compreensão e interpretação pode ter absoluta legitimidade, se não considerar aspecto que parece negligenciado. Refiro-me ao absurdo hierárquico que torna os regulamentos militares superiores à Constituição e à legislação a ela subordinada. Antes da hierarquia da caserna, a hierarquia das leis, dentro dos limites constitucionais, há de ser mantida. Quando essa visão distorcida e enviesada prevalece, a legalidade ocorre meia-boca.

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