Talvez Freud explique

Somente após avançar no projeto deste sítio, pus-me a conjeturar sobre as razões de chamá-lo NaGávea. Afinal, os que me conhecem desde quando comecei a gostar de futebol sabem de minha predileção pelo Fluminense. Exatamente o principal e irreconciliável adversário do clube cuja sede fica naquele bairro do Rio de Janeiro.

Estabelecidas as primeiras imagens, relido o texto de apresentação, lembrei-me de que o pai da Psicanálise buscou conhecer o inconsciente e seu papel na psique humana. Em que canto escondido da minha memória, em que oculto neurônio de meu cérebro residiria o fundamento daquela escolha?

Passei em revista a minha trajetória. Vi uma das bússolas, decerto a mais importante usada na minha vida, meu próprio pai. Onze anos antes de me produzir, ele ingressara nos quadros da empresa inglesa Port of Parah. Era um burocrata, que se juntou aos colegas da mesma companhia e de outros, da Amazon River, quando ambas as empresas foram estatizadas, resultando nos Serviços de Navegação da Amazônia e Administração do Porto do Pará – SNAAPP.

Quando nasci, portanto, era nos SNAAPP que meu pai trabalhava. Sempre envolvido com o controle estatístico da navegação que percorria grande parte dos rios amazônicos. Alguma vez, ligando a Amazônia ao Nordeste. Nas viagens que traziam sal.

Das muitas conversas mantidas com João Seraphico, foi-se constituindo um vocabulário por mim facilmente apreendido. Das viagens que ele mesmo fazia, sem a frequência desejada, mas sempre ampliando seu conhecimento dos misteres próprios dos marítimos, vieram-me informações sobre as coisas das águas – seus equipamentos, suas vias, sua gente, seus costumes.

Associei tudo isso à visão que meu pai tinha das coisas, olhos sempre postos no amanhã, sem desdenhar do passado.

Agora, então, não me bastou a dedicação às coisas das letras, que ele sempre estimulou em mim. Mais um passo dado, inconscientemente subi no cordame da embarcação. Detive-me a bombordo antes de subir para meu posto de observação: NaGávea.

É de lá que espero ver a terra, melhor que a hoje pisada pelos pés de milhões de brasileiros. E os dos milhões que, cada qual em sua nau, aqui chegaram.

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