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Sônia Guajajara: entre o colar e a veste talar


José Ribamar Bessa Freire

Em: 04 de junho de 2025



- Como diz o maranhense, eu estou “bestinha”, sem saber como é que devo me comportar, se choro, se sorrio, se sinto, se fico paralisada .

Foi assim, majestosa, combinando seu cocar e o veste talar, que a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, recebeu o diploma de doutora honoris causa das mãos da reitora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Gulnar Azevedo e Silva, quarta-feira (28), no Teatro Odylo Costa filho.  Sônia Guajajara simboliza a resistência de 525 anos. Participou, em 2023, do lançamento da Constituição de 1988 traduzida ao Nheengatu, integrando a comitiva da então presidente do STF, Rosa Weber a São Gabriel da Cachoeira (AM) e depois à Aldeia Maturacá, onde Rosa Weber foi batizada com o nome de Xororima – andorinha na língua Yanomami. Como uma Xororima só não faz verão, os Yanomami batizaram Sônia Guajajara com o nome de Horetoma , cujo significado é o equivalente à mulher magnifica .

Magnífica Sônia. Magnífica reitora Gulnar. Essa magnificência compartilhada permite que a Uerj aprofunde o diálogo intercultural dos saberes ancestrais com o conhecimento científico, compromisso acadêmico que vai muito além e se firma no apoio a políticas públicas pela demarcação das terras, a defesa dos direitos indígenas, de suas línguas e culturas. Que o diploma de doutora honoris causa hoje concedido a Sônia Guajajara fortalece essa aliança perene entre o veste talar e o cocar. https://www.taquiprati.com.br/cronica/1772-sonia-guajajara-entre-o-cocar-ea-veste-talar



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