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Silêncio culpado

Figuras até ontem falastronas e bravateiras transformaram-se em mudas, diante de investigadores da Polícia Federal. Encabeçada pelo mais importante deles, a lista dos depoentes não lembra mais que a imagem dos três macacos, um com as mãos servindo de venda: o outro tapa os ouvidos; o terceiro nada diz, e para isso fecha a boca com as duas mãos. O que pretende significar ignorância absoluta, não só quanto aos deveres das funções por eles assumidas, mas também para fingir desconhecimento de propósitos, decisões e ações ligadas ao frustrado golpe do dia 8 de janeiro de 2023. O silêncio dos depoentes, assegurado e protegido em lei, para impedir que os suspeitos produzam provas contra si mesmos, neste caso beira o fantástico. Se não é patético. A produção de provas ocorreu muito antes da sessão de oitiva, e não foram os investigadores os que as produziram. Ê o que têm repetido as autoridades policiais, após a análise do conteúdo de telefonemas, mensagens e videos, parte do sistema paraestatal de comunicação criado, montado e operado a partir de gabinetes influente da administração pública. O ocultamento dos atos criminosos, portanto, desta vez não foi facilitado pelo silêncio dos envolvidos. Nem militou a favor deles o silêncio, revelação neste caso de que falar talvez fosse ainda pior. Basta-lhes, segundo se pode iladir, o mal de sua prepotência e arrogância anteriores, para prever destino para eles indesejável. O que equivale dizer que desta vez o silêncio apenas confirma o que palavras, imagens e sons já o provam à farta. Pode-se até considerar o silêncio como uma forma de irrecusável confissão. Muito mais do que dizem dois provérbios populares: o que cala, consente. Quem não deve, não teme, diz o segundo. Não será por falta que provas que a Papuda não abrirá a porta para receber numerosos hóspedes. É o que a maioria dos brasileiros espera.

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Se BolsoNero não for preso a justiça estará totalmente desacreditada.

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