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Sem emaitização

A assinatura do Decreto que institui e autoriza o funcionamento da Fundação Universitas de Estudos Amazônicos (FUEA), na manhã de ontem, tem tudo para constituir-se documento fundante de uma nova perspectiva para a economia regional. Envolvendo inicialmente a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT), a FUEA não só anuncia a recuperação do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CTA) e a continuidade do trabalho interrompido, quanto desestimula certo viés colonial, nas relações deste pedaço do Brasil com o resto do País e do exterior. Quem tenha acompanhado a trajetória do CBA, até ser interrompido e relegado ao desprezo, há de reter na memória os apetites em torno do qual ela desempenhou funções que, fossem justamente apoiadas, já teriam feito da organização a instituição de pesquisa tecnológica respeitada como a previram seus criadores e os que sempre a viram com enorme probabilidade de romper o que o saudoso mestre Samuel Benchimol chamou de monocultura industrial. Primeiro, ameaçou-a a pretensão de alguns em fazer do CBA não mais que um agrupamento altamente qualificado de coletores de matérias-primas a serem processadas e analisadas em laboratórios distantes milhas e milhas da Amazônia. Depois, a deserção de algumas agências financeiras, em que pese o compromisso solenemente proclamado de contribuir com os recursos necessários à execução das nobres e promissoras finalidades a que o Centro se destinava. Mesmo as lideranças empresariais do Amazonas e da região se omitiram, como se não lhes interessasse apoiar o saudável e sustentável aproveitamento dos recursos naturais, como sabe todo o Mundo abundantes e excepcionalmente variados nos rios, na floresta e no sub-solo amazônicos. Essas as circunstâncias que acabaram por deixar o peso de todas as responsabilidades sobre a SUFRAMA, especialmente durante a administração dos economistas Ozias Monteiro Rodrigues e Flávia Antony Scrobot Grosso. Graças ao cumprimento das promessas que facilitariam a construção de alternativas à monocultura denunciada por Benchimol, não estaríamos ainda hoje ameaçados de prejuízos, se a reforma tributária se consumar. Seria muito menor o justo desassossego de que são tomados os trabalhadores da indústria e dos segmentos por ela influenciados, tanto quanto haveria oportunidade de consolidar iniciativas que a um só tempo promovessem o aproveitamento do potencial que as florestas, os rios e o sub-solo fornecem, caso o CBA não fosse levado ao estado a que chegou. A pecha de elefante branco com que a contemplaram setores desinteressados em nosso desenvolvimento, que o decreto do triPresidente agora desfaz, pareceu contaminar boa parte de profissionais, algund até bem-intencionados. Por isso, deixaram prosperar e deram ouvidos à voz do colonialismo, que faz crer na inferioridade, inclusive intelectual, daqueles com os quais convivem e cujos sofrimentos são por eles mesmos compartilhados. Déssemos atenção para o rol de instituições regionais cujo trabalho tem resultados expressivos na produção de conhecimento sobre a realidade física e social da Amazônia, não haveria como excluir dos esforços do CBA, por exemplo, o INPA, a UFAM, o IFTAM, a FioCruz, o Museu Emílio Goeldi, a UF`PA, o Instituto Evandro Chagas e tantas outras instituições de ensino, pesquisa e tecnologia, muitas delas com registro de participação em projetos entregues em algum momento à responsabilidade do CBA.


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