Sem direito às lágrimas
- Professor Seráfico

- 30 de abr. de 2021
- 1 min de leitura
Renuncia ao direito de chorar seus mortos, todo o que sorri e festeja a morte de estranhos. Também os que aplaudem e estimulam a zombaria, diante das lágrimas produzidas dentre os que a covid-19 vitimou. O numero de mortos aproxima-se de 400 mil, enquanto os responsáveis usam o dinheiro público para recolher aplausos e manifestações da mais aberta subserviência. Pior, há os que premiam os lavradores de tão trágica safra! Uma só linha ilustra com sinistra e imperdoável contundência a transformação da morte – a alheia, sempre – em motivo de chiste, ofensa, desdém pela condição humana. CPF CANCELADO, o que consta em imagem projetada em programa de televisão levado aos lares brasileiros, é apenas corolário, foz onde desembocam imprecações, gestos e decisões reiteradas ao longo dos últimos 28 meses. As premissas vêm sendo acumuladas, muitas vezes sob o aplauso e o grito histérico dos que sequer sabem como sairão na foto, se sairão ou não do fato. Refiro-me ao fato da vida, preservável apenas se adotadas medidas que os genocidas classificam como mimimi ou frescura. Se brincar com a morte alheia e contribuir para a multiplicação do número de mortos não for genocídio, atualizem-se todos os dicionários. Complete-se tão trágica missão, encontrando e registrando adjetivo capaz de qualificar tamanha monstruosidade. E seus dedicados e bem-sucedidos promotores.


Comentários