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Sem dó, nem remorso

Deprimente é o mínimo que se pode dizer do papel hoje reservado ao Brasil, no concerto das nações. Tantas e tão absurdas as manifestações, decisões e gestos dos governantes, que passamos pelo vexame de nos ver inferiorizados diante de nossos pares. Não têm sido poucas as condutas deletérias dos atuais gestores de nossa política externa, em quase todos os campos de atuação. Nem nossa condição de uma das dez maiores economias do Globo encontra repercussão nos demais países. Ao slogan oficial não corresponde qualquer dos atos que nos tornaram párias no mundo dito civilizado. Jamais se conheceu e divulgou a imagem de uma nação acovardada, submissa a interesses que não dizem respeito aos seus próprios nacionais, quanto hoje. O amor proclamado não se tem dirigido à população e às instituições brasileiras, quando a prática servil leva até à reverência aos símbolos de outra nação. Não se pense, porém, estarem isolados os que promovem a destruição de tudo quanto foi pouco a pouco - e com que sacrifícios e perdas - conquistado - nas três últimas décadas. A pretexto de combater a corrupção, milhões de brasileiros apoiaram os que, destituídos dos mais caros valores humanos, há décadas tentam enxovalhar os milhões de compatrícios que têm visto adiada nossa verdadeira independência. Nem por isso essa base de apoio, fanatizada e egoísta, pode ser inocentada. Resultante de ignorância cultivada - de um lado, e preferida, do outro -, o acumpliciamento com a destruição do estado brasileiro ganhou a condição de meta a ser perseguida a todo custo. O primeiro e mais evidente desse custo, a morte de mais de 190 mil brasileiros, além dos que ainda se sabe serão perdidos. Imaginar que no mar de lágrimas devidas à forma como o governo vem tratando a covid-19 e os que tentam sinceramente combate-la, há depositado o choro de muitos que perderam parentes e amigos - aí já é demais! Pior é imaginar, com carradas de razão, que alguns deles sequer sofrerão o peso do remorso.

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