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Segurança de uns, desgraça de muitíssimos

Os principais veículos dos media brasileiros ocuparam tempo e espaço, nesta última sexta-feira, na cobertura do que seria a oficialização do que vem sendo chamado casamento, entre Geraldo Alckmin e Lula. Essa aproximação, a que o humorista político José Simão dá o nome de lula com molho de chuchu na chapa, teria superado as dificuldades que o Partido dos Trabalhadores experimenta, pelo perfil do companheiro do ex-Presidente. Como dito em texto da véspera (09-04), as objeções ao político destituído de qualquer carisma, além disso acusado de rezar pela cartilha da Opus Dei, dificilmente estarão completamente afastadas. Mas a qualidade que tanto falta no candidato a vice é o que mais sobra no titular. É de se prever, portanto, certo silêncio obsequioso, a consagrar a dupla, antes do momento em que a Convenção dos partidos interessados o faça. Por enquanto, porém, ainda não passamos dos proclamas, aquela espécie de anúncio oficial e público dos noivos, para que se manifestem as divergências e inconformidades. Tudo dentro da lei que rege o rito jurídico do casamento. O menos que o líder petista espera é qualquer gesto de desobediência dos seus correligionários. Esse sentimento parece igualmente ser o mesmo em relação não à obediência do próprio Geraldo Alckmin, mas à fidelidade com que ele atuará, em relação ao titular do mais alto da hierarquia político-administrativa do País. As tentativas de encontrar uma terceira via, a que acorreram sofregamente muitos dos mais importantes meios de comunicação, não tem como prosperar. A não ser que aconteça o que vem acontecendo no Amazonas. Neste, a unidade federativa cuja economia se restringe aos negócios do Polo Industrial criado em 1967, a ameaça de extinção frequenta o receituário do (des)governo atual. A segurança jurídica tantas vezes cobrindo interesses de toda ordem (legítimos alguns; boa parte obscuros) no caso da ZFM é simplesmente desprezada. Mesmo assim, nem a satisfação das carências da população, nem a acumulação exagerada dos que exploram e ainda esperam continuar contando com o suor dos trabalhadores, alteram a posição do governador Wilson Lima. Ele continua a apoiar o atual Presidente, sendo voto certo na próxima eleição. Não foi a frágil oposição a ambos que inventou isso, mas o próprio Chefe do Executivo Estadual o divulgou, na mesma hora em que se divulgava mais uma das maquinações contra a economia regional. O choro das madalenas supostamente arrependidas não teve força suficiente, primeiro para impedir que o IPI cobrado poupasse a indústria sediada em Manaus; depois, para matar de vez o propósito de eliminar a competitividade da indústria instalada em Manaus, no que se refere aos concentrados para refrigerantes e assemelhados. Talvez caso único, o que se observa é o absoluto desdém do governante amazonense, em relação à vida daqueles a quem ele pede votos.

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