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Revolução

O que aconteceu em Brasília, no dia 8/1/2023, foi um ato revolucionário: a invasão, conquista e ocupação das sedes dos três Poderes da República (principalmente, o Palácio sede da Presidência da República) e, em seguida, com a sua vandalização. Este ato apenas não se concluiu conceitualmente como tal, pela falta de uma liderança revolucionária que assumisse o Poder. Mas, aqueles atos caracterizam uma revolução (ainda que totalmente estúpida).

Na Revolução Francesa, o Palácio sede do reinado não foi invadido; a invasão foi de um presídio. Na Revolução Russa de outubro (1917), ingressaram no palácio do Poder Executivo, em São Petersburgo (o, hoje, Hermitage), apenas os líderes da revolução, para dialogar com o Primeiro Ministro. Na Alemanha, os nazistas, ao darem o golpe de estado para conquistarem o Poder, incendiaram o Parlamento (Reichstag). Em Washington, o invadido não foi a Casa Branca (onde se encontrava o comandante da baderna), foi o Edifício do Congresso Americano; neste caso, a Suprema Corte também ficou intacta.

Na história da humanidade há registros de grandes invasões e destruições de cidades e de sedes de instituições basilares de diferentes povos. Mas, estas ocorrências se efetivaram na Idade Antiga, em países em guerra e em países invadidos por exércitos de outros estados expansionistas. São casos exemplares as destruições de Tróia pelos gregos, de Jericó (uma das mais antigas cidades que existiram no passado remoto) pelos hebreus, e do primeiro Templo de Jerusalém (ou Templo de Salomão), na Palestina, tendo este sido arrasado por Nabucodonosor (rei da Babilônia). Na Idades Moderna e Contemporânea, com o desenvolvimento dos instrumentos bélicos, as guerras se tornaram devastadoras, com cidades inteiras destruídas.

No entanto, o Brasil não está em guerra. Paradoxalmente, foi na paz que vândalos brasileiros perpetraram a invasão e a destruição, ainda que parcial, dos bens de diversos tipos e valores existentes nos interiores, e, das grandes paredes envidraçadas dos Palácios sedes dos Poderes Legislativo, Judiciário e Executivo do Estado Brasileiro, na capital federal! Fanatismo ideológico de extrema direita se efetivando, em meio à débil democracia brasileira, como parte de um projeto de expansão nazi-fascista no Mundo. A baderna terrorista foi tramada no exterior, com financiadores de dentro e de fora das nossas fronteiras.

Este projeto nazifascista, agora efetivado em nosso país, não objetivava a ocupação-conquista do Poder, no ato revolucionário, por um líder civil; a ação terrorista objetivava oferecer a oportunidade e condições justificativas para que se efetivasse um golpe de estado militar. Daí a falta de um líder civil, ainda que ele se intitulasse “capitão”!

O projeto da crescente organização nazi-fascista no Mundo se orienta para a conquista dos Poderes em países cujos sistemas democráticos são substancialmente frágeis e a população, em grande parte, se deixa enganar por diferentes tipos de “mitos”, civis ou militares, homens ou mulheres. Esta conjuntura socio-política facilita a invasão dos criminosos que instrumentalizam o projeto expansionista da estrema direita.

E a reação-resistência da civilização?...

Orlando Sampaio Silva

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