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REGISTROS HISTÓRICOS DA FORMAÇÃO E DA VIDA DO POVO HEBREU/JUDEU E SEQUÊNCIA GENEALÓGICA

Orlando Sampaio Silva

- VI PARTE - B

Ê X O D O

E o povo hebreu partiu apressadamente em fuga. Havia começado o Êxodo! Este é um marco fundamental na vida deste povo. O Êxodo significava a libertação da escravidão; também, a passagem da vida em outra terra para a busca da Terra Prometida; e logo, a institucionalização da religião hebraica monoteísta. Libertação, passagem e religião!

Moisés e demais líderes temiam o arrependimento do faraó, que tentaria, por um lado, impedir a fuga de tantos escravos, essa mão de obra sem ônus tão numerosa, e, por outro lado, vingar-se das “pragas”.

Logo os fugitivos, dirigindo-se ao norte, na direção da “terra prometida”, encontraram imensa barreira em seu caminho, o Mar Vermelho.

O faraó, conforme suspeitavam os hebreus, realmente, arrependeu-se de sua ordem de libertação, e determinou que suas tropas armadas perseguissem os fugitivos, o que elas fizeram sob o próprio comando real. Porém, Moisés, o grande condutor do povo, estava provido de poderes extraordinários, e, no uso desses poderes, fez a separação das águas do Mar Vermelho, abrindo, assim, uma passagem para o povo pelas terras do fundo do leito marítimo. Ao chegarem os hebreus ao outro lado do Mar, os soldados do faraó avançavam pela mesma abertura entre as águas. A travessia do povo havia sido concluída com sucesso. Então, Moisés fez as águas marítimas voltarem à sua posição normal. Em consequência, as tropas do faraó foram tragadas e sacrificadas nas águas do Mar Vermelho (cf. “Êxodo”, Velho Testamento). Para estes acontecimentos referentes à travessia do Mar Vermelho existem versões nas quais o fenômeno das águas não teria ocorrido desta maneira miraculosa tão explícita. Teriam ocorrido fenômenos naturais, que propiciaram a passagem do povo, tais como uma grande seca, uma imensa e demorada estiagem, que teria levado as águas a baixarem, deixando espaços entre as pedras do fundo do mar e pequenas poças; ou teria ocorrido um terremoto; fala-se até mesmo em um tsunami... etc. O Mar Vermelho, em seu corpo principal, chega a ter 300 quilômetros de largura. É inimaginável pensar-se o povo Hebreu atravessando a pé extensão como esta, em sua agitada fuga e, em acréscimo, perseguido pelos soldados montados do faraó!. O mais provável é que a travessia pelo leito seco, tenha ocorrido no braço estreito do Mar que existe ao Norte deste acidente geográfico. Na explicação pela estiagem, depois dela, teria havido muitas chuvas que elevaram as águas matando o exército egípcio quando tentava seguir o mesmo itinerário dos hebreus, tendo, porém, o faraó, irmão de criação de Moisés, se salvado. O filme “Êxodo: Deuses e Reis”, de 2014 (Estados Unidos + Reino Unido + Espanha, sendo diretor Ridley Scott e produção de Peter Chemin, Ridley Scott e outros, e o roteiro de Adam Cooper e outros), apresenta Moisés em sua simplicidade, sem a explicitação de grandes poderes mágicos ou milagrosos. Neste filme, a “mágica” que ele fez, sem grandes gestos majestáticos e espetaculosos, para que seu povo pudesse atravessar o Mar Vermelho, já que ele contava com a ajuda de seu Deus incentivador, se reporta ao fato de ele ter atirado a sua espada em meio às águas do mar, próximo à margem; o tempo foi passando, as águas começaram a baixar e a espada apareceu com a ponta enterrada na areia; Moisés retirou-a e, em seguida, o povo pôde atravessar pelo fundo do mar, em meio às pedras e poças de água que restaram nesse local da travessia..

Quando aconteceu o Êxodo? Datação controversa, de vez que não existe prova documental de sua ocorrência. Porém, para o povo judeu, que viveu nesse tempo, atravessou os milênios e está presente entre os povos do Século XXI, o episódio do Êxodo é fundante. Ele exprime a sua origem temporal, social e simbólica enquanto povo, e ele contém a fundação da religião monoteísta estruturada, religião que deu sustentação identitária e substância étnica a esse povo ao longo dos tempos. A crença em um único deus eles herdaram de seus antepassados, dos patriarcas, passando por Abraão, envolvendo os gestores das doze tribos, e atingindo Moisés, o fundador da religião. Mas, quando foi a ocorrência do Êxodo?

O povo judeu, na atualidade, de conformidade com sua tradição religiosa, se encontra no ano 5.781 (que corresponde ao ano de 2.021 do calendário comum cristão). O tempo ânuo judaico é medido a partir da criação. Nesta tradição, o Êxodo teria ocorrido no ano 2.448, portanto, há 3.333 anos. Em outras fontes não hebraicas, pode-se encontrar registros de o Êxodo, ou seja, a fuga do Egito ter ocorrido no dia 03 de Abril de 1.313 a.C.! Trata-se de uma especificação temporal minudente muito pouco provável. Veja-se: o Pessach é a Páscoa judaica, festa na qual é comemorada a libertação do povo judeu da escravidão com a fuga ocorrida nos dias 14 e 15 de nissan ou nisa do ano de 2.448 a.C., que seria a data da fuga, da “passagem”. “Nissan” é uma palavra originária da língua dos sumérios, que significa “primeiros frutos”, e que veio a fazer parte do calendário judaico. Considerando-se esta data, o Êxodo teria se efetivado há 3.333 anos. A festa do Pêssach é celebrada pela religião hebraica de 15 a 22 do mês hebraico de Nissan, no início da primavera. Na tradição judaica, em nossos dias, o Êxodo teve início no ano de 2.448, anualidade contada a partir da criação. Essas diversas datas, que nem sempre coincidem, evidentemente, são aproximações em hipóteses temporais para eventos cujos registros de suas ocorrências não são encontrados em pesquisas arqueológicas, mas, sim, apenas como narrativas antigas constantes do Livro Sagrado, da Bíblia, da Torá, do Velho Testamento. Essas datas, que assinalam o Êxodo, lançam certa luz sobre o tempo da existência do povo hebreu/judeu. Considere-se o ano do Êxodo e a ele se somem os cerca de 400 anos que esse povo esteve escravizado no Egito e tem-se a marca de 3.733 anos da existência do povo judeu, levando em conta que ele foi constituído, enquanto coletividade numerosa com unidade populacional e dotada de identidade coletiva, a partir das 12 tribos de Israel (cf. acima). O Êxodo teria acontecido 480 anos antes do reinado de Salomão, o construtor do Templo de Jerusalém. Também existe a tese que vê no Êxodo o marco simbólico do início da existência dos judeus. Certamente essa hipótese se reporta ao início da existência da religião judaica e da vida desse povo em liberdade após a escravidão no Egito. É improvável que os 5.781 anos do calendário judaico tenham seu ano inicial no Êxodo. Porém, essa hipótese sobre o marco inicial do povo judeu com o Êxodo não é absurda, deve ser levada em consideração para estudos históricos sobre a origem de um povo com poucos registros testemunhais/arqueológicos de seus primeiros tempos de existência. Porém, ao tempo do início da fuga do povo judeu do Egito, a partir do começo do Êxodo, é necessário serem somados os cerca de 400 anos da escravidão no Egito, conforme foi referido acima!

Chamemos a atenção para as incongruências entre datas constantes das narrativas sobre a formação do povo hebreu/judeu, neste capítulo e sempre que aparecem nos demais capítulos. Diferentes registros temporais - tais como os referentes à criação, ao dilúvio, à vida de Abraão, à de José (filho de Jacó), ao tempo passado pelo povo na escravidão no Egito, ao Êxodo, ao início temporal da existência do povo judeu etc. etc. etc. - muitas vezes se superpõem tornando, algumas vezes, contemporâneos episódios, acontecimentos que deveriam encontrar-se em uma escala temporal sucessiva coerente. Dessa forma, deve-se considerar as datas e os períodos que se encontram registradas neste livro, para os mais diferentes eventos, como épocas e marcos temporais hipotéticos, são registros tentativos de localizações no transcurso do tempo, em um cipoal de referências nem sempre coerentes e lógicas encontradas no Livro Sagrado e em diversas outras fontes escritas. Buscam-se referências temporais para fatos fundamentais na história judaica, em uma tentativa de aproximação possível. Deve-se estar atento para esta observação, sempre que o leitor se deparar com o registro de uma data e de um período histórico neste contexto e neste texto.

Há incertezas sobre qual era o faraó do Egito aquando da fuga judaica. Há referências a Ransés II, e a Amenofis, sendo este filho de Ransés II. É uma incógnita. Tem havido, nos tempos modernos, tentativas de explicação científica para as “pragas”, assim como para a “travessia” do Mar Vermelho. Na falta de evidências arqueológicas, de provas materiais, de registros testemunhais, prevalece a crença, a fé na ocorrência de milagres, convicções que se fundam na certeza dos poderes extraordinários atribuídos por Deus a Moisés. Cientificamente, são hipóteses temporais.


[CONTINUA. Próximo capítulo: “As Tábuas da Lei – A religião Hebraica”]


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