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Quem souber, me informe

Segundo aprendemos ao longo da vida, é da condição humana o desejo de estima. A tal ponto, que aos vaidosos diz-se agradar ouvir a própria voz. Nada, para eles, é mais mavioso que o som saído da própria boca. Nem há quem, em bom juízo, se sinta gratificado pelo conceito desfavorável gerado nos círculos sociais a que de alguma forma se vincule. Daí vem certo hábito dos políticos, ávidos e instantes sempre que sentem a proximidade de alguma câmera ou algum profissional da comunicação social. Se não sentem sua vaidade gratificada, atribuem defeitos e vícios ao profissional. Se elogiados, até um favor com o dinheiro do contribuinte pode resultar para o incensador. Esconder o mau feito e o malfeito, acabam por roubar tempo de suas atividades e preocupa-los permanentemente. Disso decorre a copiosa produção de mentiras, de que se valem em especial os que se veriam prejudicados se a transparência os fizesse conhecer como realmente são. Por isso, providência fundante e fundamental de qualquer regime autoritário se dirige a impedir o livre trânsito de informações. Há situações, obviamente, em que a delicadeza e gravidade da informação é tamanha, que se recomendam a discrição e a prudência. Não ao ponto em que as informações sejam postas a sete chaves por períodos tão prolongados. Como acaba de acontecer, em relação à ofensa dirigida às forças armadas brasileiras, o próprio Presidente da República à frente do processo respectivo. Algo de muito grave, gravíssimo, comprometedor da honra dos envolvidos há de ter ocorrido, para justificar tamanho medo. Porque outra coisa não pode ser a decisão de manter por um século o segredo de um ato público, oficial, do interesse de todos os milhões de habitantes, subtraídos os que, por ação e omissão de alguns dos envolvidos, já foram condenados ao silêncio e à surdez definitivos. Ao que saiba, nenhum país respeitável tem tanto medo da verdade. Se alguém souber, por favor, me informe, se há e quais são eles.

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