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Quem nos dera...

Das muitas organizações da sociedade civil que forçaram a redemocratização após a longa noite de 21 anos a que fomos submetidos, três assumiram papel destacado, e por isso aumentaram o respeito e a admiração gerados na sociedade. Refiro-me, em especial, à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil- CNBB, à Associação Brasileira da Imprensa- ABI e à Ordem dos Advogados do Brasil- OAB. Após a Constituição de 1988, a proliferação de partidos impediu a legitimidade da representação das diversas correntes de pensamento (?), porque outros interesses conduziram a atividade política por outros caminhos. Mais que endereços políticos, os partidos confundiram-se com estabelecimentos voltados à comercialização - de votos, bancadas, consciências. As três entidades, apostando em que as representações partidárias dariam conta do recado, preferiam as coxias ao proscênio. Deu no se sabe e a que se assiste: grupo majoritário, o centrão impõe suas regras e seus apetites, sem que supostos críticos das práticas pelas quais tal grupo se tornou conhecido reajam como seria de esperar. Mais uma vez, outras organizações, apartidárias, são convocadas a intervir. A primeira vem de divulgar sua Mensagem ao Povo Brasileiro, em que é expressa e inequivocamente colocada sua hostilidade às agressões dirigidas ao Estado Democrático de Direito. Não identifiquei qualquer manifestação da ABI, atualmente em processo eleitoral. Sei, no entanto, que a OAB participa ativamente da resistência e oposição à decisão do (des) governo federal, em relação ao Polo Industrial de Manaus. Há méritos na conduta da entidade dos advogados brasileiros, dada a absoluta falta de alternativa econômica de curto prazo para o modelo que durante longo período (55 anos) produziu fortunas e inseriu raros brasileiros no rol dos bilionários. Mesmo que se possa apontar a inércia das elites beneficiadas pelas atividades mantidas em Manaus, ninguém imagina possível substituir imediatamente os prejuízos decorrentes da perda de competitividade do PIM. Também ignorar a indiferença das elites locais e das organizações que as representam, quando o CBA, a FUCAPI, o INPA e outras instituições da sociedade civil não foram tratados com a consideração que lhes era devida, não anula o acerto da conduta atual da OAB. Quão bom teria sido que o cuidado e a presteza com que a OAB, seccional do Amazonas e nacional, acorreram ao clamor do empresariado, tivesse exemplo anterior, quando a precarização do trabalho foi imposta à sociedade. Essa foi oportunidade perdida, que não invalida nem desmerece o aplauso à participação na luta em defesa de nossa economia - com PIM ou não -, mas pode indicar que outros segmentos da sociedade, os mais explorados em primeiro lugar. poderão contar com o engajamento dos advogados e nossa entidade profissional na luta d maioria. Quem dera um dia isso aconteça!


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1 comentário


swolffgeo
06 de mai. de 2022

não existem mais empresários nacionalistas, não existem mais políticos nacionalistas, não existem mais militares nacionalistas e os intelectuais acham que ser nacionalista tem ranço.

Por uma nação Brasil, justa, fraterna e soberana.

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