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Quantidade não qualifica

De início, digo de quanto o Brasil avançou, de janeiro de 2023 até agora. Coisa fácil, reconheça-se, diante da comparação. Antes, a desconstrução; depois, a tentativa de barrar o processo destrutivo e recuperar o P JJ país. Antes, o desprestígio e a zombaria internacionais; em seguida, a reconquista do respeito e do prestígio perdidos. Mais haveria a dizer, mas interessa sobretudo observar que há pontos e questões intocados, capazes de comprometer a própria recuperação do país devastado. Incomoda-me, por exemplo, o destaque dado ao aquecimento do mercado de trabalho. Seria tolice pretender menosprezar os números, que despertam em alguns infundado otimismo. Se a oferta gradativa de novas oportunidades à imensa multidão de desempregados e dib-empregados, isso é pouco, quaisquer as quantidades que tal oferta registra. Em outras palavras: questionar a qualidade do trabalho e de suas relações é que vem ao caso. Discutir, portanto, os impactos desse acréscimo no número de carteiras profissionais assinadas sobre a vida do trabalhador é o que deve interessar a todos. A partir das autoridades públicas, que se supõe partilharem do propósito de reduzir as desigualdades. Ir, portanto, ao fundo da questão, eis que números pouco dizem - se é que dizem algo - sobre a qualidade. Ao que se sabe, as alterações na legislação trabalhista iniciadas com Temer e intensificadas depois, levaram às condições precárias e, em alguns casos, quase escravagistas por muitos apontadas. A taital.l ponto essa orientação atenta contra o trabalhador, que mesmo o FGTS foi atingido. Constituindo a poupança com que o aposentado ou demitido amenizaria sua velhice ou o desemprego precoce, o valor de propriedade do empregado passará a escorrer, também precocemente, para os detentores do capital. Uma espécie de

adiantamento, porque nas duas hipóteses apontadas (despedida e aposentadoria), o destino seria o mesmo. Muito mais haveria a indicar, a não ser que o capital fosse menos guloso e voraz. Ok

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