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Pouco a muito



Gradativamente, os brasileiros vão conhecendo o tamanho das responsabilidades assumidas, sempre que são chamados às urnas. Se deste infausto período de nossa história restam lágrimas, dor e sofrimento, que também remanesça, minimamente que seja, a consciência da responsabilidade. Cada um de nós, qualquer que tenha sido seu voto, tem algo a ver com a morte de mais de 606 mil seres humanos. Uns, deliberadamente; outros por omissão; terceiros, ainda, por fecharem os olhos em favor da ignorância. Já nem refiro a perversidade intrínseca, ela também a ter lugar na mente humana. Não é o mesmo o barro de que somos feitos. Nem ele impede vicejar dentre os que o desejem o arrependimento, às vezes a vergonha. Este sentimento, por pensamentos, sentimentos e gestos próprios ou de terceiros. Nunca terá sido tão oportuno refletir sobre o que dizia o cronista Nélson Rodrigues, a respeito de suposto complexo de vira-latas. Entre a enfermidade psíquica e a realidade anímica pode haver muito mais do que supõe nossa - nem sempre - vã filosofia.

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