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Paranoia (ou esquizofrenia?) cívica

Por esta, nem o mais ensandecido seguidor de Adolph Hitler poderia esperar! O Presidente de uma nação sul-americana que superou os 600 mil mortos pela pandemia e se instalou no (des) governo inspirado nas práticas do führer visita o cemitério onde jazem os restos das vítimas da II Grande Guerra. O conflito provocado pelo Eixo, contra o qual lutaram tropas de que seu país fazia parte, deixou sepultados em Pistoia, quase 500 de nossos compatrícios combatentes. Outros 12 mil foram feridos. Nada comparável, como se nota, com a tragédia da pandemia gerada pela covid-19, que contou com a ação ou a omissão dessa mesma autoridade. Multiplique-se por mil o número de vidas perdidas nos campos da Itália, e não teremos igualado o tamanho do sacrifício de ontem com o de hoje. Dadas as reiteradas manifestações do Chefe do Poder Executivo brasileiro em torno da pandemia e das formas de enfrentá-la, fica-se sem saber se a visita ao cemitério da cidade italiana foi mais uma das muitas oportunidades em que a ironia e a pilhéria desumana vieram à luz. Porque assim tem sido, desde que o Presidente da República considerou a pandemia uma gripezinha capaz de matar apenas os fracos. Inúmeras têm sido as vezes em que a mesma autoridade desdenhou do sofrimento de tantas vidas perdidas, que se torna difícil imaginar esteja ela no pleno domínio de suas faculdades mentais. A alternativa a essa suspeita constitui-se na admissão de que se está ainda por conhecer o grau de perversidade a que pode chegar a mente humana. Sem descartar a probabilidade de existirem seres aparentemente humanos que não trazem dentro de si a mais pálida revelação de se terem tornado pessoas. Admitir a perda das faculdades mentais equivaleria conceder a inimputabilidade a quem tem desafiado repetidamente a compreensão humana. O caráter monstruoso e desavergonhado de seus atos, no entanto, por mais que se faça, não restituirá as vidas perdidas por atos e omissões que lhe podem ser atribuídos. Fica-se sem saber, portanto, se a visita a Pistoia foi motivada por alguma reverência aos lá sepultados ou não é senão

mais uma das pilhérias com que o Presidente se tem destacado. Se é que não se tratou de uma homenagem póstuma aos que mataram os quase 500 brasileiros que pensaram ter lutado e derrotado o nazi-fascismo.

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