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Para onde?

A subserviência talvez seja o ingrediente mais nocivo à cidadania. Sendo-o, é igualmente maléfico à democracia e à república. Não se trata apenas de ver nos subservientes espíritos menores, cuja lucidez consiste em gerar ou aproveitar oportunidades que de alguma forma os beneficiam. Pode ser a obtenção de favores financeiros ou econômicos, como também a conquista ou manutenção de posições de poder. Este, na maior parte das vezes, o móvel da maioria dos atos subservientes. Nossa história política está cheia de exemplos desse comportamento, em que subserviência e oportunismo alimentam o carreirismo de tantos. Fragilizados pela escassez de virtudes ou visão de mundo demasiado estreita, esses personagens não têm interesse em fazerem-se cercar de auxiliares talentosos e qualificados. Às mentes empobrecidas isso equivaleria a expor a própria fragilidade do assessorado, permanentemente comparado com os que o cercam. Daí descambarem para o autoritarismo ostensivo, como sabem os estudiosos das ciências do comportamento. Autoritários por índole, formação ou ignorância, enquanto não alcançam os favores ou posições ambicionados, conseguem ocultar essa característica. Uma vez instalados na posição ou usufrutuários da benesse, passam a ter uma espécie de vida dupla – autoritarismo imposto aos subordinados, submissão e reverência ilimitada ao líder de ocasião. Em meio à caminhada orientada pelo mais extremado egoísmo, sequer se dão conta de que as responsabilidades pessoais decorrentes da posição ocupada exigem permanente atenção aos problemas que lhes cabe resolver. Sua dedicação à subserviência e seu apego ao posto alcançado, porém, impedem a assunção das responsabilidades, não importam as consequências prejudiciais à vida da coletividade. Exemplos desse comportamento egoístico e deletério – se dizer assim não é redundante – revela-se na ausência do governador Wilson Lima na resposta dos governadores que enfrentam as mentiras e pretextos do Presidente da República, em relação ao preço dos combustíveis. Nem parece que o Estado do Amazonas esteve como epicentro da epidemia por obra, graça e escolha do

governo federal. Acumpliciado ao Presidente da República, Wilson sequer se comove (muito menos isso move) com a perda da vida de tantos amazonenses, de que é impossível ignorar a contribuição ativa e omissiva do (des)governo federal. Por absurdo, tome-se como admissível a identidade ideológica entre Wilson e seu ídolo. Inadmissível, no entanto, sua adesão a ideias (?), comportamento e decisões atentatórias à República, à democracia e aos cidadãos. Nem precisa suspeitar de que, entre os milhares de amazonenses mortos pela covid-19 e seus empenhados defensores, muitos cederam o voto à pavimentação do caminho que levou Wilson Lima à poltrona governamental.

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