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Para compreender o tempo presente

Encerrará dia 5 de novembro a exposição de fotografias Exílios, escombros, resistências, no Museu Judaico de São Paulo. Instalada desde o último dia 5, a apresentação das obras do judeu argentino Marcelo Brodsky tem a curadoria do crítico Márcio Seligmann Silva. Este, professor da UNICAMP, é dos mais importantes estudiosos da obra de Walter Benjamin e autor de muitas das mais importantes obras sobre o intelectual alemão. Seu mais recente livro, A virada testemunhal e decolonial, vem sendo citado nos meios acadêmicos como leitura essencial à compreensão do mundo destes tempos. O fotógrafo teve irmão sequestrado e sua obra resulta do trauma do exílio político da ditadura argentina de 1976-1983 e da perda de seu irmão Fernando, sequestrado, torturado e assassinado por esse mesmo regime. O trabalho de Brodsky apresenta-se como uma pedra de toque ímpar na resistência aos fascismos e na luta pela justiça. Também traz as marcas da sua condição de descendente de exilados judeus, que partiram para a Argentina em busca de uma terra distante do antissemitismo mortal da Rússia czarista de então. Há uma relação clara entre os trabalhos do fotógrafo e o espírito do nosso tempo. Nessas obras cruzam-se histórias de violência e destruição que desenham um painel da Modernidade como local de aniquilação, mas também como palco de lutas, de sonhos e de utopias. A exposição contém um colecionismo crítico de imagens dos séculos XX e XXI, que são por ele resgatadas, anarquivadas, descolonizadas, curadas e ressignificadas, por meio de suas intervenções com cores e legendas. A reafirmação da medida e do momento em que o teor político das imagens muitas vezes necessita de palavras para ser ativado. Sua obra deve ser contemplada na sua face artística, criativa e original, mas também como meio político de produzir imagens resistentes. Todo democrata e inimigo de qualquer forma de autoritarismo, estando em São Paulo, não pode perder tão importante testemunho!

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