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Outra freguesia

Choroso, como de costume, dando até para do combo fazer chorume, o ex-procurador Delton Dallagnol volta às suas também costumeiras práticas. Destituído das altas funções que não soube honrar, vê-se cada dia mais longe de abiscoitar polpuda verba, sempre sem que para isso gaste um só pingo de suor. As gotas que escorrem de seus olhos já não conseguem iludir ninguém. Ontem, era propósito tão humanitário, escondida intenção malévola – a utilização de uma fundação criada para levar benefício financeiro a ele mesmo e aos de sua grei. Com dinheiro retirado da Petrobrás, que ele também dizia defender. Hoje, é a resposta a uma condenação que a Justiça lhe impôs. Seus cúmplices logo acharam um jeito de pagar a indenização sentenciada, mesmo se ainda não há coisa passada em julgado. Ou seja, dinheiro não é bem a dificuldade dos que a ele se acumpliciam. Todos o têm, e bastante! Nem precisam esperar que a coisa seja dada como definitivamente julgada. A alternativa é a certeza de que nenhum recurso, algum daqueles que o ex-procurador pensou excluir da legislação brasileira, para condenar quantos o desagradem, de nada lhe valerá. Uma outra alternativa: ele mesmo não sabe o que significa coisa julgada. Pior para ele! O fato é que, condenado a pagar setenta mil reais ao ex-Presidente Lula, Dallagnol comoveu e moveu os que rezam pelo mesmo evangelho, de pronto obtendo mais de quatro vezes o valor da pena. A previsão é a de que não tardaria a que hum milhão de reais estivessem à disposição da alma gêmea de Sérgio Moro. Percebida – e não por ele, evidente! – a probabilidade de a Justiça atualizar seu débito, diante da facilidade com que é capaz de movimentar capitais, o condenado exasperou-se. Logo anunciou que o apoio financeiro seria destinado à assistência a crianças carentes. Tal o assaltante que usa reféns para defender-se da ação policial, ele usa crianças para justificar mais um desvio. Dessa vez, não apenas de caráter ou conduta, mas de grana grossa. Afinal, se nas funções oficiais antes ocupadas ele procurou sem achar, agora ele vê a oportunidade de encontrar o que sempre buscou. Esqueceu-se de que a memória humana não é tão curta, quanto ele gostaria que fosse. Nem todos escondem nas lágrimas seus maus propósitos. Preferem usar os olhos para ver. Ainda mais quando usos e fusos são por demais conhecidos. Essa Dallagnol perdeu. Vá chorar em outra freguesia!

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