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Outra forma de perceber

No Brasil, pelo menos, os vícios comprometedores do combate à pandemia vão desde o uso perverso da covid-19 com objetivos eleiçoeiros, até a consagração de práticas sem suficiente força científica. Por isso, a multiplicação de mentiras nas redes (anti)sociais tem servido a ambos os propósitos. Haverá outros vícios, por certo, alguns correspondendo a crimes tipificados nas leis penais. Não se descartem o desvio de volumes expressivos de recursos, nem a aquisição de bens em que o patrimônio público foi lesado. Disso dá prova a compra de enorme quantidade de hidroxicloroquina, a preço 167% superior ao praticado. Outros exemplos poderiam ser indicados, por frequentes. O mercado, portanto, é ambiente sujeito aos mesmos vícios e práticas, ainda que ao custo de já quase 200 mil mortos. O bastante para evidenciar a identidade de interesses dos mais variados segmentos sociais, das autoridades públicas aos homens de negócio. Enquanto outros países da América Latina já iniciaram a imunização de suas populações, o Brasil experimenta reveses de que o último se refere à baixa eficácia do imunizante fabricado pela China. Por isso, o adiamento da vacinação dos brasileiros, que não sabem ao certo quando serão defendidos contra o mal. Há muito se tenta discutir sobre as melhores formas de enfrentar o vírus, sem que se tenha chegado até agora ao menos a um relativo consenso, mesmo em questões mais gerais. Até porque tudo indica que, talvez fruto da desigualdade, nada aqui é pensado em bases sustentadas pelo interesse da maioria, mas sempre de pequenos grupos, incrustados geralmente no poder. À parte as controvérsias relativas ao uso de medicamentos ainda não creditados pela Ciência e os que dela entendem, é necessário dar atenção a outros aspectos, alguns menos políticos que eleitorais. Chama-me a atenção, agora, algo que altera um pouco a percepção dos interesses em jogo. Por causa disso, gera novas perguntas, na tentativa de interpretar racionalmente a celeuma que a pandemia desencadeou, mundo afora. Refiro-me, especificamente, a recentes declarações do Presidente da Turquia, Percep Edorgan. Em grande medida alinhado à orientação ideológica do Presidente brasileiro, o dirigente turco afirma que a vacina chinesa comprovou eficácia maior que 90%, em seu país. Aqui, divulga-se taxa substancialmente menor, em torno de 50%. Se, para muitos, as declarações de Edorgan dizem respeito apenas a números, taxas, índices, para mim suscita muito mais indagações. Disso deveriam tratar, séria e vigorosamente, os cientistas, dirigentes, jornalistas de todos os países. Sem atraso na correção dos possíveis erros ou práticas. Ou me engano?

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