Os (maus)costumes
- Professor Seráfico

- 8 de out. de 2023
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Para entender as razões do conservadorismo que parece majoritário no País, não basta arranhar a superficie do fenômeno. Às aparências nem sempre traduzem a realidade, eis que as causas permanecem ocultas. Também é indispensável conhecer e refletir sobre o perfil dos protagonistas. Afinal, é através de sua conduta que o fenômeno se revela, fica exposto. Os conservadores brasileiros, como o de todos os países - assim me parece -, frequentemente são os primeiros a interessar-se pelos avanços da tecnologia. Andam nos carros mais modernos, utilizam equipamentos e geringonças representativas desses avanços, mesmo quando eles não passam de meros objetos de ostentação. É na pauta dos costumes que se concentra a manifestação conservadora. Não, entretanto, marcada pela sinceridade e honestidade de propósitos. Mencionaremos, aqui, dois temas reveladores do comportamento típico dos conservadores brasileiros. E quem sabe de quantos outros países, em todos os continentes. Há, portanto, o caráter sugestivo, talvez capaz de levar o leitor à profunda reflexão. Esta, acrescentados aos temas ora sugeridos, eis que eles não esgotam variado e abrangente elenco temático. Primeiro, tratemos do aborto. Muitos dos que o condenam, quando praticado por mulheres pobres, são os que o promovem, financiam ou até executam. Neste último caso, profissionais da Medicina ou atividades afins, em hospitais ou clínicas menores. Também podem ser encontrados falsos inimigos do aborto que apoiaram e financiaram a eliminação de feto contido no útero de suas próprias mulheres. Em número talvez tão expressivo, quanto os que assim se conduzem em consequência de relações extraconjugais. Aqui entra o segundo tema, a família. Grande parte dos supostos defensores da família, os conservadores as respeitam e amam tanto, que as constituem numerosas. Há, mesmo, os que, movidos sabe-se lá por que motivo, orgulham-se de estar no quarto, quinto ou décimo relacionamento conjugal. Entendido o termo como qualquer tipo de vínculo social mais que jurídico, desde o casamento "de papel passado," até a existência da""outra". Pode-se supor que o conservadorismo de hoje reproduz práticas que se sabe antigas, desde os tempos da colônia. O patrão, tal um soba africano ou senhor de escravos, tendo seu harém particular. Em suma: a pauta conservadora, que se diz referir aos costumes, não é menos que o exercício da mais vergonhosa hipocrisia. Nada incoerente com a mentira, que os conservadores tanto têm usado, como forma de manter e aprofundar a desigualdade que tanto lhes interessa. A isso se reduz o conservadorismo.

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