Os bodes e a sala

Parece-me ingênuo admitir como equívocos a hesitação e os adiamentos sucessivos a que se vêm assistindo. Muito mais, os aparentes erros de cálculo que marcam o tratamento dispensado pelas autoridades sanitárias do País à pandemia. Desde o mais alto nível da hierarquia política, até o nível em que a covid-19 exige ações prontas e eficazes. O desdém devotado pelas autoridades federais, o Palácio do Planalto como ponto de partida, a gravidade da crise sanitária espalha-se e reproduz-se hierarquia abaixo, chegando até os Municípios. Quando se espera um aceno, tímido que seja, das autoridades, o que se constata é a tática do despiste, com as lideranças estimulando seus paus-mandados a desencadear nova onda de mentiras, agressões à cidadania e demonstrações de intolerância. Os mais importantes e influentes meios de comunicação, eles também de olhos postos nos números da economia, mais que nos das sepulturas ocupadas e as que virão, acompanha os movimentos dirigidos pelo próprio governo. Acumulam-se bodes em todas as salas, para que depois se construam falsas lideranças, abrindo espaço para toda sorte de aventura. É a versão mais recente da expressão criar dificuldade para vender facilidade, que todos dizem abominar, ao mesmo tempo em que colaboram para fazê-las nascer e tornar-se fortes. Se for assim, e o futuro confirmar a hipótese aqui contemplada, o Amazonas será, mais uma vez, o epicentro desse fenômeno vergonhoso. Pequeno esforço de ler nas entrelinhas ajudará a compreender o quadro real.

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