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Onde seria melhor

Quem me tem lido sabe que vejo desvantagem para a democracia, na ida de Flávio Dino para o STF. Onde estava, ele poderia combater o crime organizado com firmeza e apoio político difíceis de reunir por outro ocupante do Ministério da Justiça, qualquer a capacidade técnica do sucessor. Não se chore, porém, o leite derramado. Nem se tente oferecer ainda mais interpretações relativas às razões que levaram Lula a indicar Dino para o Supremo. Favas contadas, páginas fechadas. Interessa, agora, dar sequência ao tenaz e sereno combate que o senador pelo Maranhão empreendeu contra o crime organizado. Não se admire algum brasileiro distraído, se identificar dentre os que fingiram insatisfação pelo aval que o Congresso deu à nomeação de Dino, alguém que na verdade se sentiu aliviado. Um peso a menos a suportar, além do peso resultante de ato incluído nas preocupações investigativas e punitivas do então Ministro da Justiça. Repito-me, até ver evidenciada a verdade a alguns ainda obscura. No Executivo, nos ministérios, portanto, nada impede e tudo sugere e convoca à iniciativa do titular e do órgão. Não é o caso, no Poder Judiciário. Se não há quem bata às portas de alguma vara judicial, nada ocupará a vida dos magistrados. Também não custa mencionar quão exagerada tem sido a manifestação das varas e dos coletivos judiciais, porque agentes dos demais poderes lesam direitos individuais e coletivos. Respeito às leis, portanto, bastaria para desentupir mesas, gavetas e estantes dos órgãos judicantes. Flávio Dino já deu provas do preparo para função da magistratura, como a deu em função executiva. A clientela de uma, pelo menos quanto à qualidade e a gravidade de seus próprios cometimentos, torna exigente sua presença no enfrentamento do crime organizado. Que o novo ministro possa fazê-lo na corte superior de nossa Justiça.

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