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Onde estão os inimigos

A sociedade civil precisa encontrar motivos e engendrar meios capazes de impedir a desmoralização a que estão sendo levadas as Forças Armadas brasileiras. Não se trata de outorgar ou conferir às forças poderes que se desviem das funções constitucionais para as quais elas foram criadas, nem submeter-se à visão enviesada de alguns dos que as integram. Digo-o, com a convicção de que percepções equivocadas e inspiradas pelos mais díspares interesses envolveram os quartéis em processos em qualquer hipótese contrários aos interesses nacionais. Fenômeno presente em todas as fases da História, o comprometimento das Forças Armadas com governos não pode resultar senão em prejuízo das funções constitucionais que lhes cumpre desempenhar. Só isso evitará a infecção política que se observa imiscuir-se nos órgãos entregues à direção e à faina dos servidores públicos fardados. Nem menor, nem maior suas responsabilidades diante da sociedade, não apenas porque é dos bolsos de todo contribuinte que sai o que lhes é pago em soldos. Agrava a exigência de contenção e de isenção política o fato de serem eles os detentores do poder armado, sendo este em caráter exclusivo em todas as nações. Assim, se é permitida e autorizada a ação contra o inimigo externo (quando o há, e não é o caso),dentro da nação de que são servidores lhes caberia, por exemplo, a confrontação com as milícias e organizações paramilitares. Jamais contra os movimentos sociais, e as organizações civis, nenhuma delas aspirantes a governar o País fofa dos padrões do Estado Democrático de Direito. A administração pública federal, incumbida de funções múltiplas, tem a servi-la profissionais de variada formação e conhecimentos específicos Mister, portanto, que ada qual se contenha no seu quadrado. Sem rompantes autoritários, tanto quanto sem arrogâncias ditadas pela ostentação de certificados emitidos por estabelecimentos prestigiados do e no estrangeiro. A um oficial da reserva desagrada ver perderem-se alguns exemplos marcantes em sua trajetória de vida adulta, pondo em risco o respeito e o prestígio responsáveis pela opção por prestar o serviço militar. Em especial, quando o oficial da reserva ingressou ainda como voluntário nas hostes castrenses. Talvez a memoria ajude a construir o futuro, mesmo em âmbito menos amplo que o da sociedade. Oficiais superiores hão de ter filhos e netos. O futuro a eles pertence. Muitos não escaparão às questões que, nem por serem eternas, devem ficar fora de consideração: quais os responsáveis por vivermos no mundo como ele é? Qual o papel foi contribuição dos meus maiores, para a sociedade que deles recebo? Só aos inimigos da Forças Armadas pode ser atribuída a crise que estamos vivendo. Nem todos estão fora dos quartéis. Nem todos estão fora do governo.

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