Olho no futuro
- Professor Seráfico

- 2 de nov. de 2022
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Depois de esconder-se por quase 48 horas, mal iniciados os festejos populares que sua derrota motivou, o candidato à reeleição decidiu falar. Muito a seu modo, o ex-capitão acabou reconhecendo a vitória do opositor. Não perdeu o escasso tempo de seu mini-discurso para repetir o comportamento civilizado que se conhece, quando outro é o derrotado. Na verdade, ratificou o que dele se sabe, além do que dele se suspeita. Antes, o reconhecimento da vitória de Lula já fora antecipado por pelo menos duas figuras importantes do seu (des) governo. A começar pelo vice-Presidente da República, que inclusive convidou o vice eleito, para visitar o Palácio do Jaburu. É lá que Geraldo Alckmin residirá. Outro foi o Ministro Chefe da Casa Civil, senador Ciro Nogueira. A presteza com que essa autoridade tratou das providências relativas à transição valeu como o primeiro gesto de resignação diante da vontade contida nas urnas. Do recolhimento do derrotado talvez tenha decorrido o pacote de bondades com que o dono do PL o contemplou. Além do salário, o já ex-Presidente terá garantido um dos itens indispensáveis da sua cesta - o pagamento de advogados. A estes não faltará muito trabalho. Quanto à rejeição ao bloqueio das rodovias, ele o mencionou sem ênfase e de forma dúbia. Tentou até passar panos quentes, pretextando que era demonstração para contestar o resultado eleitoral. Não foi a primeira vez em que sua voz verbalizou solidariedade a atos delinquentes e seus agentes. Nem se poderia esperar dele coisa melhor. Pode-se prever que ele passará os próximos quatro anos dedicado em tempo integral à campanha política. Que também se pode esperar mais difícil que as de 2018 e 2022. Só que as disputas iniciais se travarão entre ele e os projetos de liderança direitista já postos em cena. Tarcísio Freitas, Zema, Eduardo Leite e Otávio Hamílton Mourão parecem estar no páreo.


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