O segundo turno

Enfrentar preconceitos tem sido uma constante na vida do setentrião brasileiro. Como, de resto, nas regiões distantes do centro de poder. Este, como todos sabem, intimamente vinculado ao poder econômico. Não é coisa do passado imaginar que jacarés e onças passeiam sua selvageria pelas ruas das cidades amazônicas. É o imaginário que a floresta desperta, servindo a propósitos gerados ao longo de nossa história. Nem sempre o enfrentamento leva à esperada (sempre!) rejeição dos preconceitos, sendo até frequente e justo apontar o acumpliciamento dos "nativos" com a conduta predatória de que temos sido vítimas e agentes, a um só tempo. Pensaríamos coisa do passado o deslumbramento causado pelo sotaque e a cor da pele diferentes, não fosse a reincidência dessa percepção, a despeito do que os ganhadores de sempre chamam pujança da nossa economia. Reclamamos, submissos como secula seculorum, dos males da acumulação exagerada do capital e do resultado do suor (às vezes até da morte) de nossos irmãos "nativos", mesmo se reiteramos nossa permanência subserviente e mais conseguimos esconder nossos reais interesses e propósitos. Como sempre, os ganhadores tanto asseguram a defesa de seus próprios interesses, quanto zombam da forma como somos fiéis à representação desses interesses, que de nosso nada têm. É assim que entendo a alienação dos agentes políticos em relação ao que os bons de papo chamam "nossa" zona franca. Nossa de quem?- perguntaria algum irreverente inveterado. O resultado aí está, escancarado ao desinformado e ao acumpliciado de toda categoria: a disputa do segundo turno da eleição para Prefeito da capital-estado de Manaus restringe-se a uma curiosa escolha - em que tudo está em jogo, nada que de fato interesse à vida de todos. Os financiadores, para não variar nem isso, estão ávidos por cobrar o preço do que compraram. Os outros, ah os outros! Preparam-se, já, para ser enganados daqui a dois anos.

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