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O que a fumaça esconde

Nos últimos dias, não faltou fumaça no ambiente político. Enquanto PSDB e MDB reencontravam-se, esquecida a corrupção de que o primeiro acusava os membros do segundo, outras pistas mostravam não ter sido ainda jogada a toalha da terceira via. Imagino as conversas que, entre uma e outra falcatrua em elaboração, animaram as tratativas nos bastidores de gabinetes importantes de Brasília. A evidente polarização entre os dois mais destacados candidatos à Presidência da República, longe de desanimar os partidários do nem-nem (Lula e o atual Presidente da República), fez deles mágicos sem cartola e sem varinha de condão. Simone Tebet, uma espécie de síntese das (más) qualidades do tucanato e do abjeto partido a que pertencia Orestes Quércia (pretexto usado para criar a pseudo-social-democracia à brasileira), parece levar a sério a viabilidade de sua candidatura. O fogo em que ardem as pretensões e ambições dos desconhecidos que desejam desfrutar de seus 15 minutos de glória, inclui o ex-tudo Sérgio Moro. Desta feita, e repudiado pelo Podemos e pela União Brasil, o juiz-coordenador da operação Lava Jato volta a ser cogitado. Para isso serviria a sigla abandonada pelo candidato à reeleição, de que o inexpressivo Bivar se fez síndico. Mas isso é o que menos deve interessar aos que se preocupam mais com a democracia e a crise institucional permanente em que o País vem sendo mantido, a partir do mais poderoso gabinete do Planalto. Neste, importa pouco quem concorra, desde que o propósito de quem o ocupa não é outro, senão evitar que ocorram as eleições. Também essa é fumaça presente no ambiente, onde a expressão as instituições vêm funcionando regular e plenamente não passa de uma cortina. Atrás dela, a peça está mais para tragédia que para comédia. Há quem preveja, no próximo 7 de setembro, nova tentativa de mais uma vez dar o golpe. De novo, os que dele se beneficiariam seriam os mesmos, tanto quanto os promotores, aduladores e estimuladores não seriam trocados. Se há fumaça, é certo que há fogo, não fosse esse o elemento mais danoso contido nas armas cuja produção e comercialização substituem argumentos e razões inexistentes. Chegar ao 2 de outubro, portanto, assemelha-se à utopia dos que pretendem impedir a desertificação da Amazônia, a continuidade do Polo Industrial de Manaus, o avanço da Ciência e da tecnologia brasileiras, a redução das desigualdades individuais e regionais - e tudo quanto propõe a moribunda Constituição-cidadã.

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