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O lugar da Amazônia

O portal Amazônia Real publica hoje interessante reportagem de Erika Morhy, um dia após o governador Wilson Lima ter fugido ao debate transmitido pela Rede Amazônica, afiliada à Globo. Profissionais residentes em Manaus, conhecidos pela dedicação ao estudo da região, analisam a disputa do segundo turno, em que a decisão dos eleitores dirige-se à Presidência da República e ao governo do Estado do Amazonas. O cientista Philip Fearnside do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia se tem dedicado à defesa da maior floresta tropical, reconhecida a importância dela no clima do Planeta. O problema se torna mais atual, ainda, quando as políticas ambientais de alguma forma preocupadas com, pelo menos, a exploração dos recursos naturais da região são objeto de permanente hostilidade do (des)governo federal. Reiteradas práticas de desmatamento se tornam mais ameaçadoras, quando vêm do poder público do Estado facilidades para a reconstrução da BR-319, à margem dos cuidados que a ciência recomenda, em defesa do ecossistema ambiente e das populações que nele moram. O pesquisador Jersem Orelana, da Fundação Oswaldo Cruz- Instituto Maria e Leônidas Deane, lembra o impacto da covid-19 sobre a Amazônia, quando a capital amazonense foi transformada no epicentro da pandemia. Para isso concorreram a ação e a omissão do governo, tanto o federal quanto o estadual. As alegações das autoridades não se têm dirigido mais que ao aplauso e à adesão às ações que resultam em prejuízos de toda ordem, seja quanto ao ambiente físico, quando à sociedade. André Baniwa, liderança indígena e professor, destaca os efeitos das políticas destrutivas que têm tornado infernal também a vida das populações do interior, especialmente os descendentes dos habitantes originais. Os cuidados com a saúde e a educação dos povos indígenas são postergados, quando não simplesmente levados ao desmonte e à deterioração das condições em que são prestados, quando o são. Já o sociólogo Marcelo Seráfico, da Universidade Federal do Amazonas, estabelece oportuno nexo entre as duas esferas de governo, destacando as diferenças entre o tratamento dispensado pelos governos anteriores de Lula e o atual, no que se refere à preservação de modos de vida capazes de promover melhorias econômicas e sociais a altura não só das necessidades das populações da área, como a maior participação destas nos resultados cuja apropriação fica restrita a ínfima minoria dos envolvidos nos processos produtivos, especialmente os do topo da pirâmide econômico-social. É isso o que reivindica o cientista social, um dos membros da tripulação deste blog, há muito dedicado à compreensão e intepretação dos fenômenos de sua área de estudo. Particularmente quanto à zona franca, Marcelo chama a atenção para a conduta dos agentes econômicos interessados, postos à mercê de decisões que desconsideram seus próprios interesses, mais ainda o dos trabalhadores. O grau em que os benefícios do projeto são distribuídos não podem seguir tento o mesmo tratamento que tem experimentado nos últimos anos.

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