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Nunca mais


Como o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul, deveriam agir todos os órgãos correspondentes, instalados em todo o País. Consciente do papel do órgão no Estado Democrático de Direito, os procuradores federais daquele estado insurgiram-se legalmente contra decisão da Universidade Federal de Caxias do Sul. Bateram à porta do Poder Judiciário, ao ver negada a solicitação para que fosse desfeita a homenagem prestada a um dos ditadores brasileiros, no infausto período que durou 21 anos. A Universidade criou e pôs em funcionamento um memorial destinado a muito mais que agredir o Estado Democrático de Direito. Na verdade, qualquer rememoração encomiástica ao general-ditador Ernesto Geisel - e a qualquer dos outros ditadores - importa profanar cadáveres de mortos pelos esbirros  da ditadura e achincalhar seus sucessores e familiares. Mais além, homenagens e louvaminhas aos responsáveis diretos ou indiretos pela tortura, desaparecimento e morte de tantos seres humanos expressa flagrante desrespeito à sociedade. Também tenta apagar a História, torcendo fatos e buscando projetar imagem absolutamente avessa à conduta, aos valores e às práticas vigentes entre1964 e 1985. Enquanto o País não viu de todo afastada a ameaça de o Estado Democrático de Direito soçobrar, ainda há quem tente, até no ambiente acadêmico, aplaudir e festejar golpistas de ontem e de hoje. Por isso, os colegas dos procuradores do Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul devem seguir o belo exemplo cívico de seus colegas gaúchos, em todo o País. Ditadura – e suas mais frequentes consequências: violência, tortura, desaparecimento, corrupção e morte – nunca mais.

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