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Mostrando a cara do descarado

Coube a Luís Nassif, faz poucos dias, desfazer a teia de mentiras tecida pelos adoradores dos bezerros de ouro. O atento e experimentado analista trouxe à luz conceito e práticas atribuídas ao deus em cujo altar é cultuada a entidade que São Basílio, o bispo da Antióquia da Antiguidade chamava o esterco do Mundo. Trocando para linguagem mais atualizada, o dinheiro. Esse que constitui a base das relações mantidas naquele ambiente pouco ou nada asséptico a que os fiéis chamam mercado. Nassif aborda a reação dos que controlam as finanças mundiais, diante do importante pronunciamento de Lula, ocasião em que prometeu governar para todos os brasileiros, hábito que, nem por ser obrigatório, deixou de ser praticado no País. Cada grei deseja ter como seu o cocho que todos sustentam. Pois a esse grupo que decide e faz onda nos lucrativos negócios internacionais, o jornalista chama de clube de operadores. Vem deles o intenso tráfego de moedas, que dorme em um lugar do Planeta, em poucas horas exaure as reservas e o sangue do povo dali, para dormir (como se houvesse sono na jogada) a sesta mais adiante e continuar em sôfrega e ávida transferência, não importa a distância de um para outro ponto da Terra. Basta que haja a menor condição de amealhar parte da riqueza por todos os nativos produzida, sua insônia será sempre bem-vinda. Forçam oscilações no câmbio dos países, provocam inflação, sacrificam a alimentação e o emprego de multidões, e continuam por aí, ao som da marcha - fúnebre para a maioria, lúgubre para os membros do clube. Terá sido a primeira manifestação do acerto de Lula, pôr no mais alto de suas preocupações a devolução da comida à mesa dos mais pobres, a prestação honesta e generalizada de bons serviços de saúde e educação a todos, a igualdade salarial das mulheres, em relação ao que ganham os homens. O clube reage como se a redução da pobreza nada trouxesse de vantagens a eles. Mais que todos, o clube dos operadores do dinheiro do Mundo sabe ser absolutamente compatível a redução da pobreza (sem precisar matar um só dos pobres, como se percebe nas necropolíticas em vigor) com a manutenção de atrativos ao capital. Desde que este se contenha nos limites da decência e da humanidade. Quem sabe o pagamento pontual e justo de tributos razoáveis (sem dúvida maiores dos que hoje são pagos - quando o são) evitaria eventuais exageros na tributação de grandes fortunas e na transmissão causa-mortis de bens e valores? Em todo caso, estas são duas das providências que Lula não poderá esquecer ou abandonar. Então, será desmentida outra inverdade propagada e multiplicada segundo a máxima de Göebells: a mentira dita mil vezes assume ares de verdade. Aos poucos caem as máscaras. Menos as que protegeriam a saúde dos mais vulneráveis. Os números da covid-19 o atestam.

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