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Molecagem não mais

Enquanto autoridades do Estado e do Município de Manaus propagam maravilhas conquistadas por suas respectivas gestões, as chuvas pesadas derretem a gastança do dinheiro público. Cada iniciativa ou obra estadual ou municipal é usada como pretexto para escandalosa propaganda. Aos beneficiários da farsa - quase sempre os próprios agentes públicos e os que, prestando-lhes serviços se tornam cúmplices - o cumprimento de dever legal parece favor. Em suma: o que propagam autoridades e seus arautos não guarda qualquer semelhança com a experiência e o cotidiano dos manauaras. Já nem se diga da permanente sujeição dos moradores da periferia da capital amazonense, cujo pobre patrimônio se desfaz, se qualquer chuva um pouco mais volumosa que a habitual desaba sobre a cidade. Maior, ainda, o exemplo da desfaçatez das autoridades, quando milhões são gastos na construção de instalações cuja simplicidade não comprometeria os serviços pretensamente alegados. É bem o caso de uma parada de ônibus - se for só uma -, símbolo do desprezo pela população, lembrada apenas de quatro em quatro anos. Quando os acertos políticos estão consumados e é necessário contar com os votos que, à promessa amolecada, respondem com o aprofundamento da desigualdade vigente. Por mais que insistam, os que se opõem às práticas ilusórias e delinquentes não conseguem alterar a situação. Alguns, desavisados e tolhidos da capacidade de identificar as causas desse maléfico e tradicional processo, acabam por apontar para o escasso sentimento de cidadania dos lesados. Raramente encontramos alguém, mesmo dentre os que se supõem ou revelam lúcidos, um que se preocupe com as causas. Tudo é visto de um drone virtual, que

não percorrendo pelo ar o espaço onde as obras e serviços são executados, chega a aplaudir os que tanto mal lhe fazem. Uma espécie de síndrome de Estocolmo (a vítima tomada de amores pelo algoz), exigente de que pelo menos tentemos chegar às causas. Só isso pode estancar o desperdício do dinheiro público e, ao mesmo tempo, paralisar a máquina da mentira que segue acelerada.

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