Mais que coincidência

De um dos participantes do que chamarei roda de leitores, promovido pelas Editoras Scortecci e Rocco e a União Brasileira de Escritores (UBE), ouvi algo que me pôs a imaginar. É, entreguei-me a exercício que para muitos é simples perda de tempo. Aposentado, disponho de todo o tempo do mundo, até chegada a minha hora. O que ouvi, na interessante roda? Nada acontece por coincidência, disse um participante. Estávamos ali, postados à frente de uma tela de computador, para ouvir a leitura de trechos da obra de Clarice Lispector, forma inteligente e oportuna para comemorar os cem anos de nascimento e oitenta de estreia da escritora, com o conto Triunfo. Pela manhã, entretivera conversa telefônica com representante da Scortecci. Apresentava, então, o propósito de ver publicado livro baseado na obra de outra ucraniana, Svetlana Alekseievitch, ganhadora do Nobel de Literatura. Ato contínuo à conclusão da leitura, pus-me eu a escrever. Mais de dois anos decorridos, busco quem participe do meu propósito, surgido com o impacto causado pelas páginas do livro da jornalista europeia. Da obra de uma ucraniana e dos sentimentos que ela despertou em mim, ocupei-me durante a manhã de 10 de dezembro. Na tarde do mesmo dia, ocupava-me em conhecer amostra do fazer literário da outra. Enquanto isso, a Ucrânia de ambas luta por preencher o vazio que Clarice, criança, lá deixou. Quem gosta de livros - lê-los, sobretudo - não pode queixar-se da quarentena a que estamos sujeitos. A Scortecci, por exemplo, tem mostrado como enriquecer-se nestes tempos de recolhimento forçado e oferecido a oportunidade de desfrutar do que, no meu caso, chamo doce exílio.

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