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Máquina de guerra - a soma zero

Só um país lançou a bomba atômica contra duas cidades japonesas. Nos dois primeiros dias, o cogumelo que cobriu Nagasaki e Hiroshima levou consigo cerca de 250.000 vidas humanas. Esse número está bem próximo das mortes atribuíveis à desídia e ao ódio à Ciência (e à Vida) com que o governo brasileiro encarou a covid-19. Ainda não completado o primeiro século do fim da Grande Guerra, suas consequências remanescem, com o impulso dado pelo desmantelamento da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. No rastro, a extinção do Pacto de Varsóvia, com que nações do leste europeu tentaram fazer frente ao Tratado do Atlântico Norte, cuja agência executora, a OTAN, transformou-se no braço armado e prolongado dos Estados Unidos da América do Norte, mundo afora. Ódios recíprocos, originais ou estimulados, manifestam-se com frequência, após o fim da Segunda Grande Guerra. O que era guerra fria, com a derrubada do muro de Berlim e tudo quanto isso simbolizou, levou a guerras localizadas, todas elas supridas em suas necessidades(?) bélicas pela próspera indústria armamentista. Na tarde de 23 deste mês, o Presidente Volodimyr Zelensk, da Ucrânia, não se constrange em denunciar a Rússia como uma máquina de guerra. Enquanto isso, o Presidente da nação que bombardeou Hiroshima e Nagasaki prepara-se em sua cruzada europeia pela intensificação do cerco da OTAN à Rússia. Não falta quem lhe empreste apoio, porque produzir e vender armas não é exclusividade reservada aos donos do Mundo. Preparar e entregar armas onde tais artefatos sejam necessários, sim! A rigor, a Ucrânia presta serviços à maior máquina de guerra que a História produziu. E seu Presidente não se peja em atribuir tal condição ao Presidente Wladimir Putin, um governante autoritário de índole e conduta semelhantes às de muitos outros, próximos ou distantes de nós. Não raro, constituídos, apoiados e estimulados à aventura bélica por governos norte-americanos. Zelensky, fiel à OTAN, mesmo se seu país ainda não ingressou na organização, virou delegado dos donos do Mundo, uma espécie de capitão-mor no Leste da Europa. Um pelo outro, na Rússia e na Ucrânia, ou onde quer que seja, não têm comparação, a não ser entre eles mesmos. Sua soma é zero.

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