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Livros, sim! Armas, não!

A Prefeitura lançou, na última sexta-feira, mais uma edição do Prêmios Literários Cidade de Manaus. As inscrições poderão ser feitas até o dia 22 de abril, em categorias nacionais e regionais, com premiação em dinheiro (R$ 5.000,00 e R$ 3.000,00, respectivamente), além da impressão das obras premiadas. Esta, iniciativa retomada após alguns anos. Em 2021, foram 710 os concorrentes nas diversas modalidades (romance ou novela; contos e crônicas; poesia, ensaio, memória e jornalismo literário; literatura infanto-juvenil; teatro; tradições populares e temática amazônica). A novidade fica por conta do recém-criado Prêmio Djalma Batista, referente à temática regional. A quantidade de categorias foi reduzida de 20 para 9, levando em conta o pequeno número de interessados em muitas delas e o fato de algumas não terem alcançado os pontos necessários à premiação.

Trata-se de um dos mais importantes prêmios literários nacionais, forma encontrada para prestigiar a cultura e estimular a produção literária nos vários gêneros conhecidos. Destaque-se a importância do retorno da impressão das obras premiadas, dadas as dificuldades que um escritor nem sempre está em condições de administrar. Neste caso, a premiação exclusiva em dinheiro pode forçar o premiado a tratar ele mesmo de todos os procedimentos ligados à edição e impressão da obra, com os riscos que isso implica. O primeiro deles, o desconhecimento de certos passos necessários à edição dentro dos padrões técnicos e legais exigidos. O problema do plágio, por exemplo. A inscrição da obra em órgãos oficiais pode ser outro exemplo.

A manutenção do Prêmios Literários da Cidade de Manaus, iniciativa das mais meritórias, é, ao mesmo tempo, um gesto de resistência à ignorância que cobre de sombras o cenário artístico do País e ameaça tudo quanto tente impedir a volta à caverna onde se acoitam os morcegos, a que só o sangue humano dá satisfação. Se me fosse dado escolher um slogan para o Prêmios Literários da Cidade de Manaus, eu sugeriria: ao invés de armas, livros!

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