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Leite e lágrimas

Empenhado na tarefa de desmoralizar o Sistema Único de Saúde, revelar desprezo pela Ciência e não deixar dúvida sobre seu ódio à Humanidade, o Presidente da República visitou Chapecó. Naquela cidade catarinense, o Churchill às avessas não mediu palavras. Repetiu o que tem afirmado dia-após-dia, até porque seu dicionário não é mais rico que o da maioria dos apresentadores de televisão. Enquanto o Chefe do Poder Executivo finge interessar-se pela imunização da população, não cessa de hostilizar as pessoas que têm um ou alguns de seus parentes e amigos dentre os inscritos na lista de mais de 330 mil mortos pela covid-19. A menção, aqui, ao líder britânico deve-se à determinação com que ele combateu o nazismo, na Segunda Guerra Mundial. Exortando os britânicos a resistir, Winston Churchill advertiu quanto a libertação da Europa custaria em sangue, suor e lágrimas. Os mesmos líquidos aqui derramados pelos infectados, pelos trabalhadores e pelas famílias – dos que perdem seus entes queridos (mais de 330 mil, é oportuno lembrar!) e os condenados à fome que pode leva-los à morte, sabidos mais de 19 milhões de seres humanos, se me entendem!. Isso nada importa ao Presidente, de quem seria demais exigir a mínima compreensão das palavras do ex-Primeiro Ministro da Inglaterra, quanto do episódio e da conduta referidos. Daí a aparente contradição entre a corte agora feita aos governantes da China, dos Estados Unidos e da Rússia e a reiteração da conduta a que o Presidente não pode renunciar, porque de sua índole, vocação e formação. Por isso, não adianta chorar o leite derramado, como ele diz. Nem as lágrimas vertidas e as que ainda rolarão dos olhos viúvos e órfãos, de quantos brasileiros? Ele mesmo o disse. Que assim não seja – se ele, ou sabe-se lá quem, não o quiser!

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