Lei Rouanet e lobby

Não me causa nenhuma surpresa acompanhar as reviravolta da política e de seus agentes. Embora condene as práticas e os expedientes de que se valem, legal ou ilegalmente, os profissionais do ramo, a idade não mais permite deixar-me reivindicar lugar na barca das ilusões. O melhor camarote não me acomodaria. Não é que tenha desistido de lutar pelo que considero justo e dignificante. Sinto, porém, chegada a hora de, serenamente, compreender as razões e sem-razões humanas. Melhor seria ver postados nos pontos estratégicos e importantes da República cidadãos qualificados. Não os vejo apenas dentre os que chegaram à escola superior, tanto sei de beneméritos que assim se tornaram sem ostentar um diploma de graduação. A escolaridade confere o certificado, mas o que atribui qualidades com as quais o indivíduo não nasceu dispensa matrículas e provas escolares. Fernando Henrique Cardoso não me deixa mentir. Hoje, esse sentimento see torna mais profundo, quanto mais tempo dedico a penar meu tempo e meus contemporâneos. Isso torna difícil admitir a lei de incentivo à cultura ser utilizada pelos que a condenaram e ameaçaram revogá-la, no pior sentido que se poderia dar a ela. Refiro-me, especificamente, ao anúncio de que um filme e outras peças publicitárias se valerão do tão mal falado diploma legal para apoiar a reconstrução da BR-319. Esta rodovia, como se sabe, de menina dos olhos dos empreiteiros, tornou-se excelente cavalo de batalha dos que veem as preocupações com o meio ambiente como coisa de comunistas e inimigos da pátria. Mesmo se os defensores das comunidades indígenas e da floresta em pé dobrassem os joelhos em reverência à bandeira de outro país. Mas lobby é lobby e tudo vale na guera suja. (Como se toda guerra não o fosse!).

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