Intercontinental

Gostaria de saber quem se beneficiará da mais nova bravata do ex-capitão, diante da denúncia de que nações europeias compram madeira extraída por brasileiros à margem da Lei. Até aonde chega o entendimento da sociedade, a denúncia ameaça cair no vazio, não concorresse para o objeto denunciado a própria omissão do governo. Mas não é apenas a recusa em apresentar uma política ambiental que mereça este nome, o fator que põe em risco o que pode restar da credibilidade do Presidente. Além dela, o desmantelamento do aparato oficial vinculado à proteção da flora e da fauna brasileiras tornam um tiro na água tudo quanto vem afirmando Jair Bolsonaro. Ainda que carecêssemos de outras evidências, a manutenção de Ricardo Salles no Ministério do Meio Ambiente bastaria para comprometer e desmentir as diatribes ouvidas por representantes dos outros países integrantes do BRICS. Afinal, a esse membro da equipe mais próxima de Bolsonaro coube expressar, sem rodeios ou meias-palavras, qual seu objetivo naquele importante posto: remover as barreiras legais à devastação florestal, para que a boiada passasse. A frase não é minha, nem pode evitar a expressão entre patética e aparvalhada do fugaz Ministro da Saúde, Nélson Teich, na ilustrativa reunião presidida pelo Chefe do Poder Executivo. Antes, Jair Messias Bolsonaro já havia ameaçado usar pólvora contra os Estados Unidos da América do Norte, porque sua saliva não bastaria para envenenar as relações entre as duas nações, instalado na Casa Branca o sucessor democrata do ídolo caído. Ao que parece, o empreendimento bélico em que se empenha o Rambo do Planalto agora se dirige aos inimigos europeus. Incapaz de impedir a ação delinquente dos madeireiros ilegais, ou desinteressado em faze-lo, ele mostra disposição de ampliar sua autoridade ao outro continente.

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