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Impeachment virtual

Sabe o Presidente da República, como o sabem as lideranças da oposição, que a realidade de um impeachment é meta quase indesejável. É fáci entender a rejeição do Chefe do Poder Executivo. Menos fácil é justificar a mesma expectativa dos opositores. O dilema de um é diferente do dilema dos outros. Os dias pós-Temer ainda não terão sido totalmente esquecidos. Parceiro do golpe que derrubou Dilma Roussef e influente de peso no vergonhoso episódio, o ex-vice-presidente amargou os dissabores que uma Polícia Federal às vezes respeitável impõe, quando a Lei é cumprida. A estupidez do atual (des) governante não chega ao ponto de ignorar os riscos que corre. Nem a desvantagem de ter investigadas as decisões, relações e condutas em que reitera, desde que ocupa a primeira cadeira do Poder Executivo. A experiência da CPI da covid-19 recomenda cautela e, no caso dele, exige esforço para frustrar qualquer investigação. Ainda mais quando parecem mais robustas as suspeitas dos diversos delitos praticados no MEC. A tal ponto, que o próprio Presidente diz, sem eufemismo, que foi praticado tráfico de influência, não corrupção. Se começar usando a afirmação presidencial (a rigor, uma confissão) como epígrafe, a CPI promovida pelo senador Randolphe Rodrigues pode causar rasgão acompanhado de uma sangria, como a que um dia Romero Jucá tentou estancar. Se a hemorragia vier, os institutos de pesquisa nem precisarão perder tempo em consulta aos eleitores. Quem sabe os indignados MBL, Vem pra Rua e demais catões de araque voltarão às ruas? Mesmo assumindo o risco de se juntar a Bruno Pereira, Dom Phillips, Dorothy Stang, Marielle Franco, Maxciel e outros. Imprevisível encontro entre o virtual e o real.


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