Estado paralelo

Afinal, o boi mais gordo do rebanho atravessou ontem a porteira aberta, enquanto caminhamos para contar a travessia de 250 mil brasileiros, para o além. Cumpre-se, assim, mais uma etapa do projeto anunciado pelo sinistro do meio ambiente, na tão educativa reunião de 22 de abril de 2020, no Planalto. A entrega do Banco Central à voracidade da banca é sonho antigo do liberalismo praticado entre nós. Não têm bastado à fome dos financistas e as sucessivas decisões que aprofundam as desigualdades sociais e colocam o Brasil no degrau mais alto do oprobrioso pódio. Nem repetirei o que muitos, dos poucos analistas isentos ou não-comprometidos, dizem: trata-se da entrega do galinheiro aos cuidados da raposa. É pouco, dizê-lo. A situação é muito pior. Assemelha-se, isso sim, à dispensa de autoridades do cumprimento de funções que só a eles caberia exercer, na área econômica. Não é. propriamente, instituição sem a qual o Brasil não teria atravessado crises econômicas e criado e expandido expressivo parque industrial. Isso é função que ao Banco do Brasil compete. Mas o BC desliga-se da estrutura oficial, para satisfazer os setores que jamais apostaram um centavo sequer na capacidade do povo e dos que realmente trabalham. Antes, as instituições financeiras criadas pelo Estado mostraram-se incapazes de adotar lógica voltada para o alcance dos objetivos sociais muitas vezes alegados dentre as razões de sua criação. Simplesmente adotaram lógica e práticas comerciais, estimulantes da acumulação responsável pela desigualdade de que nos fizemos campeões mundiais. Agora, à instituição que alegada como centro das decisões de caráter financeiro do País, atribui-se a condição de Estado paralelo. Para que Presidente da República e Ministério da Economia, se os presidentes do Banco Central é que distribuirão as cartas? Jogo sujo maior que esse não se conhece!

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