Espasmo democrático
- Professor Seráfico

- 13 de dez. de 2022
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A diplomação do Tripresidente Luís Inácio Lula da Silva, se encerra o período eleitoral, ainda não assegura a pacificação da sociedade brasileira. Tal objetivo só será alcançado se ouvida e cumprida a advertência do Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre Moraes. A clareza e a ênfase com que o magistrado se referiu aos variados delitos praticados durante a campanha eleitoral pela extrema direita, e a disposição de levar os delinquentes à punição obrigam o próximo Presidente a limitar suas articulações e busca de apoio político. A governabilidade tantas vezes pretextada não se pode valer de qualquer concessão feita aos agressores do Estado de Direito. Este seria o resumo do discurso do Presidente da justiça especializada. Ao Poder Executivo cabe, então, oferecer ao Poder Judiciário todas as condições para levar a bom termo o devido processo legal, e ao fim a aplicação das penas que corresponderem aos condenados. Isso è o mínimo que os cidadãos esperam, em especial os 60 milhões que sufragaram Lula e Alckmin. Aos outros, os que preferiram ofender o Estado de Direito, enxovalhar a bandeira nacional e agredir a Constituição, caberá um benefício - a lição, se ela for aprendida. Não sendo assim, não tardará o registro de atos semelhantes aos que ocorrem ainda agora em frente aos quartéis. Até a instalação do (des)governo moribundo, experimentáramos o mais longo período democrático de nossa História. Se houve alguns, terão sido muito poucos os que imaginaram 34 anos depois da Constituição-cidadã, estarmos forçados a um novo processo de redemocratização. Mais longo ou mais curto o novo período, se a democracia revelar leniência cúmplice como a de agora, seremos condenados a novos espasmos democráticos. No discurso de Alexandre Moraes essa sugestão está presente.


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