top of page

Esclarecendo

Em muitas das mais importantes cidades do Mundo parte da população tem ido às ruas, para, em uníssono, exigir a paz. A percepção de boa parte da população mundial e de muitos de seus líderes indica nunca termos estado tão próximos de mais uma Grande Guerra, quanto agora. Parece pairar sobre a cabeça dos contemporâneos a tragédia que foi o conflito que durou de 1939 a 1945. O medo, portanto, é o grande sentimento que leva às ruas clamor público: Paz, Paz, e Paz!!! Não obstante, espíritos belicosos postos a serviço de sentimentos só a custo considerados humanos teimam em sua dureza e se fazem surdos ao pedido, como se um valor mais alto se impusesse, não importa o quanto isso desmentiria a superioridade que o ser humano reivindica com exclusividade para si mesmo. Pior, os promotores da guerra em passado não tão remoto, foram vítimas do mesmo tratamento que agora dispensam aos seus inimigos. Mais grave, ainda, dizendo cúmplices parte da população igualmente vilipendiada pelos atos que os belicosos assumem como pretexto de suas mais torpes ações Ninguém mais que os judeus sofreu tanto na Segunda Grande Guerra, de que dá testemunho o Holocausto. Pena que, decorridos 80 anos após a destruição de Nagasaki e Hiroshima, os palestinos se vejam sob a mesma ameaça que Hitler não conseguiu transformar em realidade. Não se veja nas manifestações que ganham muitas cidades, mundo afora, apoio ao terrorismo que o governo de Israel denuncia praticado pelo Hamas. Também não se pode confundir esse grupo com toda a população palestina. Não se justifica, portanto, matar cidadãos - crianças e velhos dentre eles - que em nada ameaçam o Estado de Israel ou, mesmo, seu governo. Também é desonesto torcer a qualidade e a inspiração do movimento pacifista em curso com algum tipo de antissemitismo. Porque, em que pese o esforço dos que desejam a guerra, sionismo e semitismo não são a mesma coisa. Tanto, que não são poucos - e tendem a aumentar - os judeus que discordam da agressividade e da belicosidade do governo de Benjamin Netanyahu, como se tem lido nos media de todos os continentes. Se há frequentes reuniões em praça pública pedindo o cessar-fogo, documentos e manifestos têm sido publicados em todo o Mundo. Assinam-nos não apenas pessoas que ocupam a esquerda do espectro político ou que sejam desafetas do judaísmo. Embora essa não seja uma conduta inédita (Einstein e Hannah Arendt, dentre tantos outros judeus, assinaram documento contra o sionismo, no século passado), essa é circunstância que não pode passar ao largo das preocupações do governo israelense. O risco de extermínio generalizado, de que a população de palestinos mantidos em destino incerto e sujeitos ao domínio de pretensos donos de todos os lugares do Mundo é exemplo inconteste, isso é o que hoje apavora a humanidade. Durante a Guerra Fria, uma das maiores lideranças políticas mundiais, o guerrilheiro Che Guevara proclamava a necessidade de criar cem, mil, milhões de Vietnams. Nos dias que correm, veem-se outros protagonistas, desejando produzir mil, milhões de Nakasaki e Hiroshima. Adolph Hitler alegava disputar o espaço vital. O que Netanyahu pode alegar, desde 1948, quando Oswaldo Aranha patrocinou e ajudou a construir o Estado de Israel? É certo que há um erro de origem nesse processo: as terras onde Ben-Gurion e outros guerrilheiros se instalaram eram tradicionalmente ocupadas pelos palestinos. Não estou dizendo nada; valho-me apenas da História para prestar alguns esclarecimentos sobre fatos que não vêm sendo levados em conta.

3 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Mudanças conceituais

Vivemos em um mundo em permanente mudança. Não há um só dia em que algo não mude, em todo lugar. As alterações da natureza, em geral lentas, ajudam a caracterizar períodos geológicos e se medem em esc

É possível uma sociedade diferente

As recentes eleições no Reino Unido e na França fizeram renascer sonhos que pareciam sepultados. Por enquanto, as avaliações se têm prendido aos números, sem que emerjam e ganhem a luz solar questões

A sede do reacionarismo

Balneário Camboriú reuniu o que há de mais retrógrado no pensamento político do Brasil e de algumas outras nações. Maior destaque foi dado ao Presidente da Argentina, Javier Milei, e não sem razão. A

Comentários


bottom of page