Escassez prejudicial

Leio de um professor e economista britânico, Paul Collier, que o capitalismo não é individualismo e ganância, mas dinamismo e inovação. Não sei a que tipo de capitalismo ele se refere, nem qual a época em que concentrou seus estudos a respeito. As ideias e conceitos de Collier foram conhecidos em recente encontro de pensadores, intitulado Fronteiras do Pensamento. Para ele, os países e as (segundo ele) virtudes do capitalismo saíram dos trilhos nos últimos 30 ou 40 anos. Daí não se vir realizando o que ele aprioristicamente afirma – ser o capitalismo a melhor forma de convívio social. Por isso, o conceitua como o único sistema conhecido que pode tirar massas de pessoas da pobreza. Sem tentar fazer humorismo, eu acrescentaria: ... depois de produzi-la em gigantesca escala. Pelo que leio no resumo da palestra do professor, matéria de segunda mão, portanto, o economista britânico não aposta na condução das relações sociais e econômicas produzidas pelo capitalismo por um piloto automático. Não sendo, como ele mesmo afirma, baseado no individualismo e na ganância (o que caracterizaria uma sociedade da ganância, em suas próprias palavras), o capitalismo teria como bases a inovação e o dinamismo. Ao que me parece, têm sido escassos na biblioteca de Collier os relatos sobre as últimas décadas da história econômica, por isso que lhe escapam à observação alguns fenômenos que muitos de seus colegas de ofício já incluíram em suas mais recentes leituras. Dentre estas, os fenômenos da globalização, da financeirização da economia, da migração internacional e suas causas, da violência, da fome e da captura do Estado pelas grandes corporações. Sobre a desigualdade tão bem produzida, não li uma só palavra. Não porque não tenha querido lê-la, mas por não a ter encontrado.

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