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Escala 6 X 1 e o debate tardio sobre a extrema exploração



Em Tempos Modernos (1936), Chaplin retrata o massacre sofrido pelo trabalhador nas jornadas de trabalho extenuantes no início da revolução industrial, quando o operário chegava a cumprir 16 horas de labor nas fábricas têxteis na Inglaterra.

No século XIX, Karl Marx iria classificar essa extrema exploração de Mais-valia.

Trata-se de uma categoria da economia capitalista na qual o dono da fábrica se apropria da maior parte da força de trabalho do trabalhador, que ao produzir a mercadoria só recebe por um mínimo daquilo que foi vendido, ficando a maior parte com o patrão. Por exemplo, numa jornada de 8 horas diárias de trabalho, o trabalhador recebe apenas por 2 horas trabalhadas. As outras 6 horas viram lucro para o dono da fábrica.

É assim que o capitalista nada em dinheiro e o trabalhador, responsável pela produção da riqueza, ganha somente o necessário para se manter vivo e trabalhando.

Sobre o debate que, tardiamente, começa no Brasil, ou, pelo menos, está se tentando fazer, nada mais é do que colocar em pauta o que já foi superado em boa parte do mundo, com a redução das jornadas extenuantes de trabalho e a consequente diminuição da exploração extrema do trabalhador.

A extrema direita brasileira mente ao dizer que está preocupada com a economia do país, haja vista que nos países que reduziram a jornada de trabalho houve aumento da produtividade e da lucratividade, por uma razão simples: melhor qualidade de vida e maior satisfação no trabalho, menos licença por problema de saúde e mais tempo para estudo e aperfeiçoamento.

O que a extrema direita não diz e a esquerda tem que dizer é que a pauta da redução da jornada de trabalho de 44 semanais faz parte do processo de melhoria da economia brasileira. Não é mais admissível que num país que está entre as oito maiores economias do mundo ainda se promova a extrema exploração do trabalhador.

O fim da jornada 6X1 é um direito tardio do trabalhador brasileiro pela sua hora trabalhada. Ele não está pedindo nada que não seja dele. O dono da indústria, do banco, do comércio ou da empresa de serviço não abrirá mão de nada que lhe pertença. Se o salário pago representa apenas duas horas trabalhadas pelo trabalhador, agora representará três horas. Só isso

O governo não tem que oferecer benefício às grandes empresas pela redução da jornada. Elas não perderão nada e deverão aumentar seus lucros com a melhoria de vida do trabalhador. Essa é uma conta que deu certo no mundo. O problema é que muitos capitalistas brasileiros são selvagens, grosseiros, incivilizados, mas o país não pode deixar de avançar pelo espírito abrutalhado dessa horda de tártaros.


Lúcio Carril

Sociólogo

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