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Eppur si muove

A História conta que um certo Galileu Galilei foi ameaçado pela Inquisição de ser queimado na fogueira porque afirmava ser a Terra uma esfera. Contestando o geocentrismo, o sábio enfrentou os preconceitos da época ( sec. XVII), muitos deles ainda presentes na sociedade que se gaba dos avanços tecnológicos e se prepara para visitar outros planetas. Os que o perseguiram restam definitivamente esquecidos, enquanto suas descobertas continuam concorrendo para desvendar a realidade do Universo a que temos dado trato tão mesquinho. Passou a fazer parte do cotidiano dos brasileiros e de outros povos certa conduta inspirada nos inquisidores, em especial quando o risco de morte pela covid-19 se tornou presente em todos os continentes. Não faltaram os que contribuíram para fazer maior a mortalidade do vírus, tanto quanto outros tentaram impedir o enfrentamento da doença segundo as melhores práticas científicas. Basta dizer que mesmo a omissão no provimento dos cuidados que a Ciência recomenda ocorreu em muitas cidades, de que Manaus e o desvio de equipamentos para lá destinados dão conta. Como inspirados em Tânatos e levados pela pulsão da morte, não foram poucas as autoridades públicas que se empenharam em matar por atacado, sem que um tiro só fosse necessário. A cumplicidade com o vírus se encarregaria de cumprir o desumano desiderato. No Brasil, tem-se estimado em cerca de 200 mil as vítimas dessa conduta criminosa, a despeito das reiteradas advertências de profissionais da saúde, eles mesmos reduzidos em seu número pela morte que os acabou levando do reino dos mortais. Coincidiu com a pandemia o esforço oficial por desacreditar a imunização contra doenças preveníveis, de que o Brasil podia com razão se orgulhar. Caíram os índices de cobertura da população, como resultado direto e infame de ampla e bem articulada campanha antivacinação, sob os auspícios das autoridades públicas, em todos os níveis. Felizmente, começamos a entrar em novo período de nossa História. Se os números da economia mostram-se promissores e levam a previsões que se pensava iriam demorar, na área da saúde também se registram pelo menos duas excelentes faces da recuperação. Uma delas diz respeito ao crédito que as famílias voltam a dar à imunização sobretudo de suas crianças e idosos; a outra anuncia para fevereiro o início da imunização contra a dengue, uma das maiores preocupações dos brasileiros que não veem quadrado o Planeta. A inclusão da vacina anti-dengue no Programa Nacional de Imunização já se fez, restando apenas receber as doses importadas da vacina, enquanto o Instituto Butantã trata de também produzi-la no território nacional. Os cientistas e pesquisadores brasileiros e as famílias para quem se abriu o sol podem repetir Galileu: eppur si muove.

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