Entre o suposto e o real

Em meio ao caos generalizado, acontecem fatos aos quais a maioria das pessoas não empresta a devida atenção. Nem todos admitem estar frequentemente nos detalhes a pista que leva à revelação dos motivos e dos beneficiários. Nos detalhes, dizem outros, está a diferença. Trata-se, agora, da reabertura, pela Justiça Federal do Paraná, do processo que atribuiu a Adélio Bispo a autoria de um suposto ataque ao então candidato que se fez Presidente. Com a cumplicidade de quase 60 milhões de outros iguais ou parecidos. Sucede quase imediatamente o evento a ser novamente apurado, a enorme quantidade de suspeitas sobre o chamado atentado contra a vida do então candidato à Presidência da República. Agora, a Justiça Federal reabre o caso, sem que isso reduza as reservas quanto ao anterior arquivamento, se não acrescenta ainda motivos para fazer maior a rejeição da decisão anterior. É nos autos que o julgador encontra as bases de sua sentença ou despacho. Os calhamaços produzidos contêm farto manancial de informações, procedentes de diferentes tipos de fonte. Ora são registros de depoimentos e declarações pessoais, ora são provas documentais relacionadas ao delito, até imagens e ilustrações com alto valor informativo. De início, a ausência de sangue nas imagens imediatamente projetadas no país gerou a suspeita de uma farsa. Declarações de apoiadores do candidato, dias antes dos acontecimentos de Juiz de Fora, ajudaram a suspeita. Uma faca poderia fazer o sujo serviço, disse um deles, sem rodeios. Não tardou o aparecimento de imagens destoantes das práticas dos liderados pelo hoje Presidente da República, chegando-se a admitir que o autor do suposto atentado foi protegido, não constrangido, pelo forte dispositivo de segurança presente no local. Para não fazer diferença de situações semelhantes ocorridas aqui mesmo, pessoas de alguma forma relacionadas ao autor do suposto atentado foram mortas. Se houve ou não queima de arquivos é assunto que permanece sem resposta. Talvez essas e outras circunstâncias não estejam suficientemente esclarecidas nos autos, exigindo maior atenção a detalhes que, mais uma vez, podem provocar novo julgamento, mais próximo da verdade dos fatos. Aí, surge dúvida nova, desta vez em torno da parte que logrou a revisão da decisão anterior. Coube ao advogado Richard Wasserff solicitar a reabertura das investigações. Motivo suficiente para cogitar sobre as razões que levaram o anfitrião e protetor de Fabrício Queiroz a pedir mais esforços da Justiça, para oferecer conclusão mais plausível ao caso.

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