Enquanto muitos morrem...

Há como certa euforia percorrendo os gabinetes, nos altos escalões da república e nas entidades chamadas produtivas. Os números da economia divulgados pelo IBGE desencadearam entusiasmo no mínimo suspeito, quando seguimos em frente na mortalidade imposta pela pandemia. Por ela e seus poderosos cúmplices. No último trimestre ainda não alcançamos os índices do período anterior ao desembarque do vírus aqui, mas a alegria toma conta dos que cultuam a morte - dos outros, nunca será demais lembrar. E, para sermos justos, eles têm muita razão. pouco se lhes dá que morra tanta gente, porque - como o diz sua liderança maior - um dia todos estaremos mortos. Claro que o diz sem a verve que se tem atribuído a certos luminares da Economia: a longo prazo todos estaremos mortos. Fosse diferente, interessasse a todos a saúde da população, muitos países não se veriam forçados a recuar na criminosa liberação das atividades. Não fugimos à regra, e o que se verifica é a volta a índices que julgávamos marcantes do pior período da covid-19 entre nós. Sem que o emprego retorne, nem as contas públicas mostrem perspectivas de equilíbrio a médio prazo, soltam-se foguetes de puro e perverso regozijo. Também passa quase em brancas nuvens o excepcional aumento da riqueza dos biliardários, com a vantagem de as instituições financeiras já terem encomendado a mesa lauta com que festejarão o prêmio que o Congresso se prepara para lhes oferecer. É disso que trata o PL 3877/2020, de autoria de um deputado do Partido dos Trabalhadores. Rogério Carvalho contribuirá, dessa forma, para engordar em R$ 1,6 trilhão os cofres dos bancos. Aos ouvidos dos atuais beneficiários do auxílio emergencial só chega a informação de que sua sobrevivência custará demais aos cofres públicos, por isso que não será perpétuo, como disse o Presidente. Tem razão - todos um dia estaremos mortos. Ajudar a natureza custa pouco.

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